Página Inicial







Actualizar perfil

Em Foco
Novembro de 2017

Uma casa do outro lado do atlântico
Por: NEUZA FRANCISCO E PAULA ASCENÇÃO, leigas combonianas



 

Do outro lado do Atlântico, no Peru, as leigas missionárias combonianas Neuza e Paula encontraram uma nova casa. Com os irmãos da periferia de Arequipa, no Sul do país andino, partilham a vida e a fé em Jesus.

 

 

Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser (Santo Agostinho). Assim também a missão é deixarmo-nos guiar pelo Espírito Santo que nos acompanha e espera.

Partir é atirar-nos de um avião confiando que Deus nos ampara. Deixar tudo para trás. Começar de novo leva-nos a conhecer-nos e a reconhecê-Lo em nós. Claro que se trata de uma experiência pessoal com Cristo pois só desta forma, quando se vive intensamente e nos entregamos totalmente a esta experiência, nos podemos tornar cada vez mais seu instrumento.

Chegamos a este caminho com tudo o que somos e assim também partimos. Trouxemos no coração todos os que amamos e nos completam, fizeram-nos chegar até aqui e acompanhar-nos-ão a vida toda, assim dita o amor. Saímos ao amanhecer e também num amanhecer chegámos ao Peru. Conscientes da longevidade da viagem, fortalecemo-nos nos abraços que apertados se deram neste longo até já. Chegámos à terra ao qual chamaremos casa nos anos que se aproximam.

À porta do aeroporto já nos esperavam, nos sorrisos e na alegria de finalmente nos receberem partilhámos o nosso nome e o nosso carisma.

À saída, fomos recebidas pela chuva miudinha que se fazia sentir, e neste turbilhão de sensações percorremos pela primeira vez solo peruano.

O período é de puro conhecimento, despojadas de nós damos os primeiros passos junto deste povo que nos acolheu de forma tão amável. Somos nós do outro lado do Atlântico vivendo a missão bem ao estilo S. Daniel Comboni.

 

Chegar a casa

Conhecer os Leigos Missionários Combonianos peruanos foi conhecer a nossa família peruana. Cada um deles partilhou connosco um pouco de si e do seu testemunho de vida e de fé. Entre conversas, bebidas, comidas e gargalhadas recebemos um pouco deles e demos um pouco de nós alegres na certeza de saber que todas estas vidas convergem para Deus.

Ser missionário é ser frágil, ter feridas e ser simplesmente humano. Partir não é ser forte, é permitirmo-nos ser frágeis e deixarmo-nos guiar não por tudo aquilo que achávamos ser mas pela brisa que nos faz sentir que caminhamos com Ele. O nosso Deus é um Deus ferido, não queiramos ser super-heróis, corajosos e fortes... pelo contrário, «quando sou frágil é que sou forte» (S. Paulo). Partir é, tal como Saulo, deixarmo-nos cair do cavalo para poder renascer para uma vida nova certas de que é uma vida com sentido. Partir é dar vida ao sonho que um dia Daniel Comboni sonhou. É ser uma das mil vidas para a missão. Tal como os discípulos, Deus confiou-nos a missão de partirmos duas a duas. Seremos comunidade, seremos testemunho vivo e alegre de um evangelho que nada tem de antigo.

Chegar à missão é chegar a casa. Não a que nos viu crescer, outra que agora nos acolhe, onde agora dormimos, crescemos e amamos. Chegar à missão é chegar ao povo. Não o que nos viu nascer, outro que nos recebe de braços abertos como se fôssemos filhas que tornaram a casa. Chegar à missão é abraçar outro povo. Não aquele que nos viu nascer mas aquele que de braços abertos se predispõe a crescer connosco. Cada pessoa é mundo e tem mundo para nos contar. Em cada pessoa encontramos Deus e é esse Deus e esse mundo que hoje pretendemos mostrar-vos. José Saramago disse que “chegamos sempre aonde nos esperam”. Amar a Deus é confiar que chegamos sempre às pessoas e lugares em que Ele nos espera, ainda que com rostos, braços e características de outros. Certas estamos que são imensas as fronteiras e os limites que existem entre nós, mas Deus amando-nos torna-nos irmãos e por isso iguais.

Tantas foram as pessoas que nos receberam de sorriso no rosto e braços abertos. Em todos eles podemos reconhecer o carinho, amor e alegria de Jesus Cristo. Sentimo-nos como um filho que regressa a casa. Sentimos que esta é também a nossa casa. Sentimo-nos família. Sentimos que onde houver Deus existem dois braços onde serenamente podemos construir um lar.

Este caminho torna-nos mais conscientes de todas as graças, de todo o Amor de Deus por nós, de tudo e todos quanto Ele coloca no nosso caminho para que o encontremos.

Nunca sabemos onde Deus nos leva. Nunca sabemos às pessoas a que Ele nos faz chegar. Diz a música que chegamos onde Deus nos levar. Queremos muito chegar lá. Imaginamo-lo. Desenhamo-lo na nossa imaginação. Mas a realidade ultrapassa-nos por completo.

O outro que caminha ao nosso lado ultrapassa-nos por inteiro. Os paraísos que idealizamos parecem tão pouquinhos perante a realidade, presente de Deus para nós. Vivamos. Entreguemo-nos a Deus.

É nesta paisagem que todos os dias acordamos na confiança e adormecemos no agradecimento. Nesta missão que não é só nossa, mas de todos, queremos que percorram cada dia e cada história connosco. Seguras de que foi e é Deus quem nos chama a esta missão caminhamos juntas certas que chegaremos aonde nos esperam.

 


Comente esta informação

Imprimir   |   Enviar a um amigo



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados