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Novembro de 2018

China: Espíritos inquietos no império do meio
Por: MARGARIDA SANTOS LOPES, jornalista



 Os católicos na China enfrentam vários desafios: o êxodo para as cidades que esvazia as suas comunidades rurais; mais funerais do que baptismos, políticas repressivas, a sinização das religiões... É para manter viva uma Igreja há tantos anos dividida que o Papa Francisco acaba de assinar um acordo histórico com o regime de Xi Jinping, que lhe reconhece legitimidade na nomeação de futuros bispos. A próxima etapa poderá ser uma visita oficial a Pequim.

 

Há um «renascimento religioso» na China e o Governo «está preocupado», diz-nos o sociólogo Richard Madsen, antigo missionário Maryknoll em Taiwan, um dos maiores estudiosos da cultura chinesa. «O Cristianismo, tal como o Islão e o Budismo tibetano, são especialmente problemáticos, devido à sua aspiração à universalidade, sob um Deus cuja lei é superior à de um governante temporal, e às suas ligações internacionais.»

Autor de obras de referência, como China’s Catholics: Tragedy and Hope in an Emerging Civil Society, Madsen verifica que «tem havido um esforço contínuo para reprimir o Cristianismo», que representará cerca de 10 % da população, e agora ainda mais com um «plano de sinização» imposto pelo presidente Xi Jinping no último congresso do Partido Comunista.

Trata-se de uma campanha para «nacionalizar» as religiões, exigindo-lhes que se adaptem às tradições chinesas. Como o Confucionismo, que o Governo espera «poder vir a suplantar o Cristianismo» – porque promove a lealdade ao líder e não fornece bases morais para o criticar. Não é de estranhar, atenta Madsen, que quase 50 por cento dos dissidentes presos por defenderem direitos humanos e democráticos sejam cristãos. «Isto inquieta Xi.»

No âmbito da sinização, muitas igrejas não registadas (uma obrigação legal) têm sido destruídas, cruzes removidas das suas torres sineiras, imagens de Jesus substituídas por fotografias de Xi, fiéis sujeitos ao pagamento de pesadas multas ou penas de prisão, como testemunhou o jornal South China Morning Post. O regime justifica estas acções com a necessidade de garantir «harmonia social».

 

Domínio protestante

É muito difícil identificar o número exacto de cristãos na China. O regime estima que sejam 25 milhões, 18 milhões dos quais protestantes e 6 milhões católicos. Em 2010, o Pew Research Center contava 58 milhões de protestantes e 9 milhões de católicos. Outras fontes apontam para 100-130 milhões de protestantes e 10-12 milhões de católicos.

Segundo o Center on Religion and Chinese Society da Purdue University, em West Lafayette, Indiana, EUA, o Cristianismo é a religião que mais cresce na China, «a um ritmo anual superior a 10 %», sobretudo desde há quatro décadas, depois que a «tolerância» do reformista Deng Xiaoping substituiu a era de perseguições de Mao Tsé-tung. Mesmo que aquele ritmo abrande para 7 %, «a China poderá tornar-se o maior país cristão do mundo em 2030, com 247 milhões de fiéis» – a maioria protestantes. 

«Os católicos perderam, em número, a sua predominância em relação aos protestantes e este é um dos seus grandes desafios», diz à Além-Mar o historiador David E. Mungello, autor de várias obras, designadamente, The Catholic Invasion of China: Remaking Chinese Christianity. «Em 1949, havia cerca de 3,5 milhões de católicos e apenas meio milhão de protestantes. Em 2012, as duas religiões tinham crescido, mas os católicos apenas três ou quatro vezes mais, enquanto os protestantes registaram um aumento exponencial.»

Porque é que o Protestantismo, que chegou à China apenas no início do século xix, quando Robert Morrison, da Sociedade Missionária de Londres, aportou em Macau em 1807, está a suplantar o Catolicismo com que o jesuíta Matteo Ricci [ver cronologia] cativou o imperador da dinastia Qing no século xvi?

Explica o sinólogo Mungello: «O Catolicismo é uma Igreja universal com uma autoridade central em Roma, embora esteja mais ou menos dividido entre uma Igreja com bispos aprovados pelo Governo e uma Igreja não oficial com bispos obedientes ao papa. O Protestantismo tem uma autoridade decentralizada e não uma estrutura unificada, uma flexibilidade que ajudou ao seu rápido crescimento. As house-churches (igrejas domésticas) protestantes não oficiais são difíceis de o Governo fiscalizar. Não há uma hierarquia definida, com bispos ou um papa com os quais o regime possa negociar. Isto deu liberdade às igrejas protestantes para desenvolverem espiritualidades distintas.»

 

Comunidades em crise

A sinização tem visado, particularmente, os protestantes, que a Freedom House em 2017 considerava enfrentarem «um grau mais elevado de perseguição». No entanto, David Mungello está convencido de que o objectivo do regime é «dominar elementos rebeldes em todas as religiões, sejam católicos, protestantes ou muçulmanos uigures, sujeitos a um encarceramento em massa em campos na província de Xinjiang, no Noroeste».

Outras razões explicam que haja «mais funerais do que baptismos» entre os católicos, como observa Richard Madsen, director do Fudan-UC Center on Contemporary China, na Universidade da Califórnia, San Diego, EUA.

A grande maioria dos católicos chineses vivia em zonas rurais, pobres e isoladas. Em regiões como Xi’an, por exemplo, constituíam 90 % da população. Nos últimos dois anos, um êxodo para as cidades, impulsionado pela transformação da China numa potência económica, abalou profundamente estas comunidades, que Madsen define como muito conservadoras, desconfiadas do Governo central, da modernidade e do secularismo.

A baixa natalidade causada pela política do filho único, que vigorou do fim da década de 1970 até 2015, afectou muito as famílias católicas, que transmitiam a fé de pais para filhos. A média de idades, refere Madsen, é agora de 75 anos, o que agudiza uma crise de vocações.

«Os católicos gostariam de evangelizar, atrair novos conversos, mas a repressão por parte do Governo e a divisão da igreja em uma facção “oficial” [Associação Patriótica Católica Chinesa] e uma “clandestina” dificultam esta missão», salienta Madsen.

 

Acomodação e martírio

A repressão continua a ser praticada porque o Catolicismo «ainda é visto, por muitos dirigentes governamentais chineses, como uma religião estrangeira e invasora», afirma David E. Mungello. «Quando os missionários católicos chegaram à China em 1579, foram obrigados a negociar de uma posição de fraqueza com um forte governo imperial em Pequim. Hoje, mais uma vez, a China e o seu Governo central são fortes. Xi Jinping é um dirigente autoritário que impõe restrições às religiões. Não se trata de uma nova tendência, mas a reafirmação do tradicional autoritarismo chinês.»

A resposta católica à repressão, sobretudo a partir de 1600, recorda Mungello, tem seguido dois padrões. «O primeiro, desenvolvido pelos Jesuítas, privilegiava a acomodação, isto é, a disponibilidade para responder às exigências oficiais na esperança de melhorar a capacidade de praticar a fé. O outro padrão enfatizava o martírio, na convicção de que o sangue dos mártires seria a semente para novos cristãos e as conversões permitiriam aos católicos crescer para combater a opressão.»

«Estes dois padrões, de acomodação e martírio, ainda hoje prevalecem», adianta o historiador americano. «Cada padrão tem os seus proponentes, mas a História não apresenta provas claras de que um seja mais eficaz do que outro, por isso, muitos católicos tentam imitar Cristo combinando os dois padrões de acção, ainda que ambos tendam a divergir.»

 

Francisco e Xi

Estes padrões talvez ajudem a contextualizar as reacções aos esforços do Papa Francisco para reaproximar o Vaticano e a China, de relações cortadas desde 1950. «A tentativa de diálogo dividiu ainda mais os católicos chineses, muitos dos quais consideram a Igreja “clandestina” um refúgio que os protege dos lobos no Governo», admite Mungello.

Depois de dez anos de preparação, um acordo que muitos não hesitam em considerar histórico foi anunciado a 22 de Setembro, reconhecendo a legitimidade do Vaticano na nomeação de futuros bispos da Igreja chinesa.

No dia 26, em resposta aos críticos, o Papa Francisco clarificou: «Este é um diálogo, mas será o papa que nomeará [os bispos]. Que isto fique bem claro. [...] Penso na resistência dos católicos que sofreram. E sim, irão sofrer. Há sempre sofrimento num acordo, mas eles têm muita fé.»

No dia 16 de Outubro, dois bispos católicos chineses, Joseph Guo Jincai e John Baptist Yan Xiaoting, convidaram o papa a visitar Pequim, depois de terem participado pela primeira vez – com permissão do regime – num sínodo no Vaticano. “Esperamos por ele”, disse Guo ao diário da Conferência Episcopal italiana, Avvenire. “A nossa presença aqui [em Roma] era considerada impossível, mas tornou-se possível.”

Uma visita papal à China terá uma grande importância, dado que não há relações formais entre o Vaticano e Pequim desde 1951. Taiwan, pressentindo que o acordo recém-firmado poderá levar ao corte de laços com Taipé, também convidou Francisco a visitar Taipé.

As iniciativas do Papa deixam apreensivos muitos católicos. Um dos principais críticos tem sido Joseph Zen, antigo cardeal de Hong Kong, nascido numa família católica de Xangai, que acusou Francisco de trair os fiéis. A oposição de Zen, que foi repreendido pelo Vaticano, merece a simpatia de Anthony E. Clark, professor de História Chinesa na Universidade de Whitworth, em Spokane, Washington, e autor de China’s Saints: Catholic Martyrdom during the Qing, 1644-1911.

«Estou muito decepcionado», lamentou Clark, em entrevista à Além-Mar, notando que Francisco, ao assinar um acordo com Pequim, «está a seguir um caminho muito diferente» do dos predecessores, em particular João Paulo II, que considerava os regimes comunistas uma ameaça ao mundo. «Parece-me que a Santa Sé está a agir com ingenuidade e a aceitar um compromisso perigoso.»

Recém-regressado da China, Clark diz que a maioria dos católicos com quem se encontrou, embora se mostrem ansiosos por uma visita do papa, «sentem-se confusos por Roma alinhar, aparentemente, com um governo que se tem mostrado inconsistente no tratamento dos cristãos» e que «afirma abertamente pretender eliminar a religião».

Clark desconfia das «mensagens contraditórias» enviadas pelos dirigentes chineses, mas o sociólogo Richard Madsen olha para os esforços do Vaticano como «um risco que vale a pena correr», para fazer «renascer a evangelização», mesmo que o Partido Comunista «espere um resultado oposto».

Para Madsen, o acordo anunciado em Setembro «foi o primeiro passo numa complicada negociação sobre as relações entre a China e o Vaticano», numa área específica «onde convergem os interesses» de ambas as partes. «Ao contrário das negociações que fracassaram no passado, quando se tentou resolver ao mesmo tempo um amplo pacote de questões – incluindo o reconhecimento diplomático da República Popular da China e não de Taiwan –, desta vez os negociadores concentraram-se num pacote mais pequeno – a nomeação de bispos que servem a Igreja registada oficialmente.»

 

Resistir e sobreviver

Até agora, embora «mais de 95 % dos bispos» já fossem aprovados pelo Vaticano e pelo Governo chinês, este era «um processo informal e complicado», refere Madsen, especificando: «Um representante do Vaticano, num gabinete descaracterizado em Hong Kong, recolhia informação sobre possíveis candidatos a bispos e remetia-a ao Vaticano. Havia depois discussões informais com responsáveis locais e nacionais para se chegar a um consenso sobre um candidato aceitável a ambas as partes. Havia aqui uma natureza ad hoc. A informação recolhida pelo representante do Vaticano – que não podia viajar para a China continental – era necessariamente imperfeita.»

O acordo anunciado em Setembro, que «vai ao encontro da Lei Canónica, como a Igreja reclamava», parece abordar também outra questão, relacionada com o estatuto de oito bispos ordenados sem autorização do Vaticano e, consequentemente, excomungados. «A China quer que eles sejam reconhecidos e o Vaticano aceitou “perdoá-los”», informa Madsen. «Suspeito que alguns deles poderão ser “convencidos” a resignar. Actualmente, 100 % dos bispos oficiais já são aprovados pelo Vaticano.»

O que fica por resolver, adianta o sociólogo americano, é o estatuto dos bispos da Igreja clandestina, aceites pelo Vaticano, mas não pelo regime. «Eu pensava que este assunto ficaria encerrado, mas não. Além disso, o acordo também é “provisório”, ou seja, poderá ser revogado se uma das partes não gostar do rumo seguido.»

Para o historiador das relações sino-católicas David E. Mungello, o acordo «é mais uma promessa do que uma solução a longo prazo, para servir, sobretudo, os interesses das hierarquias» do Vaticano e da China. «É uma vitória provisória das forças da acomodação a que resistirão os que se inspiram na memória dos mártires santos chineses.» Para estes, o compromisso «não vale o sacrifício dos católicos que foram presos ou perseguidos pela sua fé».

No entanto, conclui, «se a curto prazo Xi Jinping é uma grande ameaça à Igreja Católica, vista a longo prazo, uma história de mais de quatro séculos marcada por tantos actos de devoção e milhares de mártires deixou, provavelmente, a Igreja Católica na China capaz de resistir a tudo.»

 

 

 

 

História de encontros e desencontros

 

1294: Os primeiros missionários católicos chegam à China com o franciscano italiano Giovanni da Montecorvino (1246-1328), graças à autorização do imperador Cublai Cã, neto de Gengiscão, da dinastia mongol Yuan (1271-1368). O Cristianismo entrara no país em 635, com a Igreja Nestoriana do Oriente, no início da dinastia Tang (618-917);

 

1582: Após a morte de São Francisco Xavier, às portas da China, em 1552, é Matteo Ricci (1552-1610) quem inaugura as importantes missões jesuítas no final da dinastia Ming (1368-1644). Este homem que estudou em Coimbra e, em Macau, começou por compilar o primeiro dicionário de chinês-português, já tinha aberto residências missionárias em Zhaoqing (1584), em Shaozhou (1589), em Nanchang (1595) e em Nanjing (1598), quando se instala definitivamente em Pequim, em 1601. Tem autorização do imperador Wanli que, impressionado com os seus conhecimentos de linguista, geógrafo e cartógrafo, e o esforço de conciliar o pensamento católico com o património cultural chinês, incluindo os ritos do Confucionismo, lhe oferece não apenas alojamento, mas permite a evangelização e conversão das elites. Para o jesuíta Giuliano Raffo, este encontro representa “a primeira vez que o Cristianismo obtém cidadania na China”;

 

1656: Luo Wenzao (posteriormente conhecido como Gregório López), torna-se o primeiro padre chinês. Embora convertido e baptizado pelo franciscano António de Santa Maria, é admitido na Ordem Dominicana em Manila (Filipinas), onde estuda e é ordenado. Em 1673, o Papa Clemente X nomeia Luo vigário apostólico de Nanjing, para suceder ao francês Ignace Catolendi. Luo recusa, mas em 1679 não pode desobedecer a um decreto do Papa Inocêncio XI. O seu superior consente, na condição de o novo bispo ser “um sábio e erudito”, aconselhado por missionários dominicanos, porque estes se opõem à tolerância por parte dos jesuítas da prática de ritos ancestrais chineses. Por não aceitar a requerida supervisão, Luo é consagrado em Cantão (Guangzhou) e não em Manila, em 1685, pelo franciscano Bernardino Della Chiesa. Tem mais de 70 anos. O segundo bispo chinês só é consagrado em 1926 – 241 anos depois;

 

1692: O imperador Kangxi (1654-1722) decreta que todas as igrejas, “onde quer que se encontrem, devem ser preservadas”, e que “não haverá qualquer oposição a que os que desejem adorar a Deus entrem nesses templos”. Este “édito da tolerância” é muito influenciado pelo padre jesuíta português Tomás Pereira, que mantém uma relação privilegiada com o imperador, como conselheiro pessoal, mestre musical e emissário diplomático. É ele o tradutor nas negociações que conduzem ao primeiro tratado sino-russo, em 1689.

 

1704: O Papa Clemente XI interdita, formalmente, a inclusão dos ritos chineses na prática religiosa, vistos como “idolatria herética”, e o imperador Kangxi, considerando a ordem do Vaticano “uma afronta”, expulsa a delegação papal e a maioria dos missionários católicos. As perseguições aumentam, sobretudo após 1724, quando o imperador Yongzheng proíbe o oficialmente o Catolicismo. Sobrevivem comunidades católicas em zonas rurais, mas a Igreja entra em crise;

 

1814: O imperador Jiaqinq vai mais longe e proíbe todo o Cristianismo, condenando à morte os europeus, por proselitismo, e desterrando para regiões remotas os chineses que não revertam as conversões. Só em 1858, com o Tratado de Tianjin, é que a enfraquecida dinastia Qing volta a aceitar missionários, e o catolicismo ressurge em força;

 

1900: Cerca de 30 mil cristãos, missionários e convertidos são assassinados durante a Revolta dos Boxers, como são apelidados os membros da Sociedade dos Punhos Harmoniosos, grupo que contesta o domínio estrangeiro da China;

 

1926: O Papa Pio XI (1867-1939) convida seis padres chineses a visitarem Roma e ordena-os bispos na Basílica de São Pedro, apesar do desacordo do episcopado missionário na China. São então criados vários vicariatos apostólicos, administrados por bispos chineses;

 

1942: O Vaticano estabelece relações diplomáticas com a República da China, presidida pelo cristão metodista Chiang Kai-shek, do partido nacionalista Kuomintang, que formaria um governo no exílio na ilha de Taiwan depois de derrotado na guerra civil chinesa;

 

1949: Em 1 de Outubro, Mao Tsé-tung, rival comunista de Chiang, proclama a República Popular da China. Três milhões de católicos chineses e um milhão de protestantes são forçados a aceitar o novo regime, que professa o ateísmo;

 

1950-1955: A República Popular da China corta relações com a Santa Sé (em 1951). Missionários, padres, freiras e outros fiéis cristãos são forçados ao exílio. Muitos são presos, acusados de “sabotagem ideológica”. O Vaticano mantém relações diplomáticas com Taiwan;

 

1954: Um grupo de 138 líderes protestantes chineses publica o “Manifesto Cristão”, inaugurando o Movimento Patriótico das Três Autonomias (MPTA, autogoverno, auto-sustentação e autopropagação). Um dos fundadores é o pastor Y. T. Wu (Wu Yaozong, 1893-1979), que procura “harmonizar” Cristianismo e Maoísmo;

 

1957: Criação da Associação Patriótica Católica Chinesa (APCC), à semelhança do protestante MPTA. A resposta do Papa Pio XII (1876-1958) é a encíclica Ad Apostolorum Principis, publicada em 1958, com a qual condena as actividades da APCC e ordena a excomunhão dos bispos que esta escolher;

 

1966-1976: A Revolução Cultural de Mao intensifica a perseguição a todas as religiões. Milhares de clérigos e fiéis são presos, enviados para campos de trabalhos forçados ou executados. Igrejas são atacadas, confiscadas pelo regime e reutilizadas para fins não religiosos;

 

1981: Os católicos chineses são proibidos de jurar lealdade à Santa Sé, embora possam considerar o papa “líder espiritual”, sem autoridade administrativa sobre a Igreja oficial;

 

1994: O Estado chinês impõe o registo obrigatório de todos os lugares de culto;

 

2000: O Papa João Paulo II (1920-2005) canoniza 87 mártires chineses. O regime em Pequim acusa o Vaticano de ingerência nos seus assuntos internos;

 

2007: Bento XVI escreve uma carta pastoral aos católicos da China, exprimindo interesse numa reaproximação a Pequim, mas as autoridades ressentem-se do facto de o papa se dirigir aos fiéis e não directamente ao regime;

 

2014: A China abre, pela primeira vez, o seu espaço aéreo a um avião papal, durante a visita de Francisco à Coreia do Sul;

 

2017: O Vaticano estende a mão à China de Xi Jinping, o líder que tomou posse um dia depois da eleição de Francisco em 2013, procurando um acordo sobre a ordenação de futuros bispos;

 

2018: Todas as dioceses católicas da China recebem ordens dos bispos alinhados com o regime, para delinearem, até 2022, uma estratégia de sinização. O Partido Comunista Chinês e a Associação Patriótica passam a fiscalizar não só clero e leigos, mas também documentos e interpretações históricas, teologia, doutrina social, arquitectura, arte sacra, liturgia e livros litúrgicos.

 

 

 

Estimativas do Cristianismo na China

 

1 379 000 milhões de habitantes

67 milhões de cristãos

290 circunscrições eclesiásticas

9 milhões de católicos

48 556 novos baptizados em 2017 na China continental

1900 padres, enquanto a Igreja clandestina terá uns 1200

1265 igrejas foram fechadas pelo Governo da China em 2017

223 000 cristãos perseguidos em 2017

 

(Fontes: Pew Reserch Center, 2010 e China Aid)

 

 


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