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Julho de 2017

Presença portuguesa em África
Por: CARLOS REIS



O património edificado na sequência dos Descobrimentos tem um valor universal excepcional e dá a conhecer a origem e influência portuguesa. Em África, estruturas autónomas e identificáveis em oito países constituem um importante legado da cultura portuguesa a outros povos e territórios.

 

O primeiro estabelecimento dos Portugueses em África esteve relacionado com estratégias de ocupação territorial, exploração de recursos naturais e de evangelização. Do processo de adaptação às realidades naturais existentes, bem como da permuta cultural entre portugueses e populações locais, resulta a singularidade do património cultural de origem portuguesa no continente africano.

Ainda hoje a influência portuguesa é evidente no traçado urbano e nos edifícios existentes, além da linguagem, hábitos e costumes. São bens patrimoniais que atestam a presença portuguesa em África, classificados pela Unesco, organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura, como património mundial.

 

 

cidade velha: berço da cabo-verdianidade

A cidade de Ribeira Grande, renomeada Cidade Velha nos finais do século xviii, é o primeiro entreposto colonial construído pelos Europeus nos trópicos. É aqui que ocorrem os primeiros contactos entre europeus e negros da costa africana, encontro que gera o nascimento de um novo povo.

Localizada a sul da Ilha de Santiago, a Cidade Velha, um vale verdejante às bordas do mar, mantém parte do impressionante traçado original das ruas, incluindo os vestígios de duas igrejas, uma fortaleza real e o Largo do Pelourinho, com um pilar de mármore do século xvi.

 

País: Cabo Verde

Local: Ribeira Grande – Santiago

Distância da capital Praia: 12 km

População: 11 000 habitantes

Língua oficial: Português

 

 

fasil ghebbi: fortaleza real

A cidade fortificada de Fasil Ghebbi é a residência do imperador etíope Fasilides e dos seus sucessores durante os séculos xvi e xvii. Cercada por uma muralha de 900 metros de comprimento, a cidadela é constituída por palácios, igrejas, mosteiros e edifícios que revelam influências culturais hindus e árabes e posteriores construções barrocas, edificadas pelos missionários Jesuítas.

A colaboração militar portuguesa permite o estabelecimento de um reino cristão que domina as terras altas da Etiópia desde meados do século xv até à expulsão dos missionários Jesuítas, em 1633.

 

País: Etiópia

Local: Gondar-Amhara

Distância da capital Adis-Abeba: 730 km

População: 154 000 habitantes

Língua oficial: Amárico

 

 

kunta kinteh: negras raízes

A ilha James, actual Kunta Kinteh, testemunha as várias épocas do encontro entre a África e a Europa ao longo do curso do rio Gâmbia, dos períodos pré-colonial e pré-esclavagista até à independência.

A ilha, a 30 km da foz do Gâmbia, é adquirida pelos Portugueses em 1456, junto dos chefes locais, para a construção de um forte, base para a primeira rota comercial para o interior da África Ocidental e, mais tarde, para o comércio de escravos. No edificado destaca-se o forte inglês Bullen e as ruínas de San Domingo, entreposto comercial português, e da capela portuguesa, do século xv.

 

País: Gâmbia

Local: Albreda – Juffure

Distância da capital Banjul: 43 km

População: 5800 habitantes

Língua oficial: Inglês

 

 

ilha de moçambique: capital fortificada

A pequena cidade insular Ilha de Moçambique foi a capital da África Oriental Portuguesa e importante centro missionário entre 1570 e 1898. A cidade fortificada constitui um antigo entreposto comercial português. Localizada na ilha, a Fortaleza de São Sebastião é erguida no século xvi pelas forças portuguesas para dar protecção e apoio às naus da Carreira da Índia, em trânsito de e para o Oriente.

A fortificação é considerada o mais representativo exemplo da arquitectura militar portuguesa na costa da África Oriental, devido à sua unidade arquitectónica e materiais de edificação.

 

País: Moçambique

Local: Nampula

Distância da capital Maputo: 2350 km

População: 14 890 habitantes

Língua oficial: Português

 

 

kilwa kisiwani: forte fugaz

Em 1500, a caminho da Índia, o navegador e explorador português Pedro Álvares Cabral visita Kilwa Kisiwani, conhecida como Quíloa. Dois anos depois, Vasco da Gama invade a ilha tornando-a tributária de Portugal. Como em 1505 o sultão cessa de pagar o seu tributo, as forças do Estado Português da Índia conquistam-na e constroem o Forte de Quíloa, a primeira fortificação portuguesa de pedra e cal na África Oriental.

A ocupação portuguesa dura menos de uma década, pois o Forte de Quíloa é de difícil manutenção. Actualmente, o edifício arruinado tem uma presença de grande impacto.

 

País: Tanzânia

Local: Kilwa – Lindi

Distância da capital Dodoma: 516 km

População: Sem residentes

Língua oficial: Inglês

 

 

el jadida: ‘cité portugaise’

Possessão portuguesa entre 1506 e 1769, a cidade de Mazagão, na costa ocidental de Marrocos, é conhecida pela cidadela portuguesa. Actualmente inserida no perímetro urbano de El Jadida, a fortificação construída no início do século xvi funciona como entreposto comercial e militar na costa atlântica. Com os seus bastiões e plataformas, a fortaleza é um exemplo da arquitectura militar do Renascimento.

Os edifícios portugueses remanescentes incluem a Cisterna e a Igreja da Assunção, construídas no estilo manuelino, um exemplo do intercâmbio entre as culturas europeia e marroquina.

 

País: Marrocos

Local: Doukkala-Abda

Distância da capital Rabat: 190 km

População: 144 440 habitantes

Língua oficial: Árabe

 

 

mombaça: centro turístico

O navegador e explorador português Vasco da Gama chega a Mombaça em 1498, mas só um século depois o porto se torna a principal base de operações portuguesas na costa oriental africana. Erguido no topo de uma formação de coral, o Forte Jesus é construído em 1596 para proteger o porto de Mombaça.

É um dos mais excepcionais e bem preservados exemplos de fortificação portuguesa do século xvi. O esquema e a estrutura do Forte Jesus reflectem o ideal da Renascença, em que a perfeição das proporções e a harmonia geométrica se inspiram no corpo humano.

 

País: Quénia

Local: Costa

Distância da capital Nairobi: 485 km

População: 1 200 000 habitantes

Língua oficial: Inglês

 

 

Elmina: feitoria da Mina

Em 1471, uma expedição portuguesa desembarca no Gana, no que foi o primeiro contacto de europeus com subsarianos. Estabelecidas relações comerciais com o rei de Elmina, os Portugueses constroem o Castelo de São Jorge da Mina, que se torna uma feitoria permanente, e dominam, até 1642, partes da Costa do Ouro, no litoral do Gana.

No final da presença portuguesa inicia-se o tráfico de escravos para a Bahia, no Brasil.

Os vestígios dos entrepostos comerciais portugueses, erigidos entre 1482 e 1786, podem ainda ser encontrados entre Keta e Beyin, constituindo símbolos da arquitectura pré-colonial da África Ocidental.

 

País: Gana

Local: Elmina – Cape Coast

Distância da capital Acra: 136 km

População: 32 800 habitantes

Língua oficial: Inglês

 

Fontes: HPIP Património de Influência Portuguesa, UNESCO Portugal e WHPO Património Mundial de Origem e Influência Portuguesa.


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