Página Inicial







Actualizar perfil

Em Foco
Abril de 2017

Desminagem é acção humanitária
Por: CARLOS REIS, Jornalista



A desminagem salva vidas e protege os meios de subsistência em mais de 40 países. Apesar dos progressos alcançados, as minas terrestres e os engenhos explosivos não detonados continuam a matar ou ferir milhares de pessoas por ano.

 

 

Os esforços à escala mundial para a remoção de minas terrestres e engenhos explosivos não detonados devem receber uma renovada atenção internacional, já que estes artefactos comprometem os meios de subsistência das populações, o desenvolvimento económico e social dos países, e os esforços internacionais de consolidação da paz. Na última década, mais de 50 mil pessoas perderam membros ou vidas por causa destas armas.

Eliminar perigos e libertar terrenos para a sua devolução às comunidades permitirá o acesso a infra-estruturas e serviços básicos e o assegurar do sustento próprio em segurança. A desminagem é relevante para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas 2015-2030.

«É essencial prosseguir esforços para proteger as populações vulneráveis, bem como para reabilitar e reintegrar aqueles que sobreviveram a acidentes com minas terrestres e engenhos explosivos não detonados», afirma Susan Bissell, responsável da Unicef para a Protecção Infantil. Crianças de 68 países vivem no seio da contaminação de mais de 110 milhões de armas com efeitos indiscriminados que podem ser espoletados por inocentes e transeuntes.

Mesmo quando as crianças não são as vítimas directas, as minas terrestres e os engenhos por explodir têm um impacto avassalador nas suas vidas. As famílias, que já vivem à beira da sobrevivência, ficam arruinadas economicamente devido aos acidentes.

O UNMAS, serviço de acção contra as minas das Nações Unidas, apoia as actividades antiminas em quatro dezenas de países e defende a participação universal no Tratado Internacional de Proibição das Minas Antipessoais e a destruição dos engenhos existentes.

 

Ameaça latente

As minas terrestres não distinguem os alvos militares dos civis. Segundo o princípio do sofrimento desnecessário, para o qual, mesmo quando um ataque é dirigido contra um legítimo objectivo militar, um ataque não é legal se daí puderem resultar danos ou sofrimento excessivos para os civis.

A remoção humanitária de minas deve ser estabelecida como parte integrante de todos os acordos de paz, incorporando estratégias para desenvolver a capacidade nacional na desminagem.

Em condições perigosas, os agentes da acção antiminas arriscam a sua vida para retirar as minas de terras e estradas. A remoção é um trabalho demorado e dispendioso. Cada mina terrestre leva 100 vezes mais tempo a remover do que a colocar. O artefacto explosivo custa menos de três euros a fabricar e pode custar mil euros a remover.

Os países mais contaminados pelas minas contam-se, geralmente, entre os países menos desenvolvidos do mundo, logo, com poucas possibilidades de que consigam financiar os seus próprios programas de desminagem.

Por contabilizar estão ainda os prejuízos económicos causados pelas mortes e estropiamentos, pelos recursos afectados às mais de 300 mil vítimas sobreviventes em todo o mundo, aos danos às infra-estruturas e ao obstáculo que constituem ao desenvolvimento e pacificação das comunidades afectadas.

 

Terminar o trabalho

A utilização de minas antipessoais por Estados é agora extremamente rara, depois da entrada em vigor do Tratado de Erradicação de Minas. A rede global e coligação ICBL-CMC revela que, só em 2015, foram destruídos mais de dois milhões de minas armazenadas. Em contrapartida, quatro países terão produzido minas activamente (Índia, Myanmar, Paquistão e Coreia do Sul).

Já em 2016, grupos armados de guerrilha continuaram a utilizar minas terrestres no Afeganistão, Colômbia, Iraque, Líbia, Myanmar, Paquistão, Síria, Ucrânia e Iémen, contribuindo para um aumento acentuado do número de mortos e feridos.

Existem cerca de 37 milhões de minas em duas dezenas de países africanos, mas todos os continentes são, de alguma maneira, afectados.

A ICBL-CMC relata 6461 novas vítimas de minas terrestres e explosivos remanescentes de guerras em 2015, o que representa um aumento de 75 % em relação ao ano anterior. A grande maioria das vítimas são civis (78 %), com as crianças a representarem 38 % destas mortes. As vítimas tendem a concentrar-se entre os sectores mais pobres da sociedade, onde as pessoas enfrentam perigos todos os dias ao cultivarem os campos, tomarem conta do gado e procurarem lenha.

«Numa altura em que as vítimas estão a aumentar, é preocupante registar uma diminuição do financiamento nacional e internacional para a desminagem e assistência às vítimas», lamenta Jeff Abramson, director do programa Landmine & Cluster Munition. É hora de terminar o trabalho.

 

 

 

 

Países e territórios afectados pela contaminação maciça por minas

 

Sara Ocidental

Angola

Chade

Bósnia e Herzegovina

Croácia

Turquia

Iraque

Azerbaijão

Afeganistão

Tailândia

Camboja

 

Fonte: ICBL-CMC Landmine & Cluster Munition Monitor 2016

 

 

 

 

 

Processos de desminagem no mundo

 

O Governo colombiano presidido por Juan Manuel Santos, Prémio Nobel da Paz, aprovou, no passado dia 16 de Março, a realização de operações de desminagem em 11 zonas de oito municípios do país bolivariano, que abrangem mais de 1,5 milhões de metros quadrados. Este território junta-se aos 21 milhões de metros quadrados que começaram a ser desminados em Setembro de 2016. No total, pretende-se limpar 40 % do total da área contaminada na Colômbia por minas antipessoais e partes de armamento que não detonaram.

A Colômbia é, depois do Afeganistão, o país mais afectado por minas, que desde 1990 até ao passado dia 30 de Setembro causaram 11 460 vítimas directas, incluindo militares, polícias e civis, segundo dados oficiais.

Em Angola, 1858 campos minados, que resultaram da guerra civil, estão hoje limpos, o que representa 56,4 % da meta para tornar Angola livre de minas até 2025. Restam 1435 campos, de dimensões variáveis, por intervencionar, segundo as ONG estrangeiras The Halo Trust, MAG (Mines Advisory Group) e Ajuda Popular da Noruega.

«A guerra civil terminou em 2002, contudo, as minas terrestres continuam a causar medo, lesões e mortes, e restringem o acesso seguro à terra e outros recursos. Até agora, Angola continua a ser um dos países mais minados do mundo”, sublinham as três ONG num comunicado divulgado em 15 de Janeiro passado, 20 anos depois de a princesa Diana de Gales, em vista ao Huambo, declarar a desminagem em Angola como objectivo internacional.

 

 


Comente esta informação

Imprimir   |   Enviar a um amigo



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados