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Sudão do Sul: Amnistia Internacional denuncia crimes de guerra
9 de Maio de 2014

A Amnistia Internacional (AI) denunciou na quinta-feira, 8 de Maio, os assassinatos e as violações sistemáticas de civis com motivação étnica no Sudão do Sul, situações que constituem crimes de guerra e contra a humanidade.

 

No relatório "Não há lugar seguro: civis atacados no Sudão do Sul", a organização de defesa dos direitos humanos condena as "horríveis atrocidades" cometidas "por ambas as partes em conflito" no país africano e apresenta sobreviventes de massacres, vítimas de violação sexual e testemunhas do conflito que forçou mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas casas, levando o país mais jovem do mundo a beira de um desastre humanitário.

 

A ONG explica que, desde a eclosão do conflito, em Dezembro de 2013, as tropas do presidente Salva Kiir e as forças leais ao ex-vice-presidente Riek Machar atacaram civis em suas cidades, casas, igrejas e mesquitas e até em centros da ONU onde buscavam abrigo.

 

A AI descobriu nesses lugares corpos em estado de decomposição e cinco valas comuns em Bor com mais de 500 corpos, além de casas queimadas e armazéns de ajuda humanitária saqueados.

 

"A investigação revela o inimaginável sofrimento dos civis indefesos incapazes de fugir da espiral de violência no Sudão do Sul", afirma a subdiretora da AI para a África, Michelle Kagari.

 

"Crianças e mulheres grávidas foram violadas e os idosos levaram tiros quando estavam sobre macas no hospital", acrescenta a investigadora.

 

Kagari acusa ambos os lados de ter ignorado "os princípios mais fundamentais dos direitos humanos em nível internacional e a lei humanitária".

 

"Todos os responsáveis por cometer, ordenar ou permitir esses abusos tão graves, alguns dos quais são crimes de guerra e contra a humanidade, devem prestar contas", ressaltou.

 

Embora tenha começado com uma disputa política, o conflito tomou forma étnica, explica AI, com os Dinka maioritariamente aliados a Kiir e os Nuer a Machar.

 

Os dois bandos atacam deliberadamente membros da outra comunidade, constata a organização, que fez seu trabalho de campo em março de 2014.

 

Devido ao conflito, a situação humanitária é precária e apenas piora, pois os deslocados não puderam voltar a suas casas no momento crucial da semeadura. Se eles não plantarem as safras para junho de 2014, "a crise de fome será quase inevitável", diz a AI.

 

A Anistia recomenda que a missão da ONU se concentre em proteger civis, investigar abusos dos direitos e facilitar o acesso da ajuda humanitária e pede às partes em confronto que ponham fim a suas violações dos direitos e da legislação internacional.



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