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Sudão do Sul: Papa faz apelo ao fim da violência
25 de Março de 2014

Um “apelo urgente” para se colocar fim à violência no Sudão do Sul, assegurar a ajuda humanitária e promover a paz, foi lançado pelo Papa Francisco numa mensagem enviada à Diocese de Juba. O texto, assinado pelo Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, foi lido na manhã de domingo, 23 de Março, pelo Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e Paz, Cardeal Peter Turkson, durante a Missa por ele presidida na Catedral de Santa Teresa, em Juba, na conclusão da sua visita de cinco dias ao País.

 

O Sudão do Sul, nação jovem que teve a sua independência há apenas três anos, viu explodir a violência em Dezembro de 2013, num conflito étnico envolvendo as forças governamentais do Presidente Kiir, de etnia dinka, e os seguidores do Vice-presidente Machar, da etnia nuer.

 

“Sem paz não existe desenvolvimento”, escreveu Francisco na mensagem enviada ao Arcebispo de Juba, Dom Paulino Lukudu. “Esta guerra – sublinhou o Pontífice – custou a vida de pessoas inocentes, provocando divisões e causando pobreza, fome, doenças e morte”. “Não podemos permanecer indiferentes diante desta realidade”, sublinhou o Papa, que não esquece a “dramática situação” dos refugiados e deslocados obrigados a se exilar, em condições “contrárias à sua dignidade”, em que “não são considerados mais como pessoas”, mas sim como “estatísticas sem nome”

 

Esta situação impeliu o Pontífice a lançar um “urgente apelo” para que as partes envolvidas, com o apoio da comunidade internacional, coloquem fim à violência, assegurando “o acesso das ajudas humanitárias aos necessitados” e busquem “sem se cansar, soluções pacíficas, para fazer prevalecer o bem comum” sobre interesses particulares”.

 

A mensagem do Santo Padre exorta à promoção da “cultura do encontro”, que implica, antes de tudo, a rejeição do egoísmo e a capacidade de ver no outro “não um inimigo, mas um irmão a ser acolhido e com quem trabalhar conjuntamente”. O empenho em criar um clima social “construtivo” – afirmou o Papa – deve prevalecer sobre “o desejo de poder pessoal”, com o “claro reconhecimento de que os seres humanos, com as suas legítimas aspirações morais, éticas e sociais” venham sempre “antes do Estado e dos diversos poderes que procuram submetê-los”.

 

Referindo, depois, ao tempo da Quaresma, “tempo privilegiado para seguir um caminho de purificação e conversão da mente e do coração”, o Papa exortou à “conversão das consciências à justiça, à fraternidade e à partilha”.

 

A mensagem termina com a afirmação clara de que a “Igreja Católica condena todo o acto de violência e trabalha generosamente na busca de um clima de diálogo, reconciliação e paz entre todos os membros da sociedade”.



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