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Rep. Centro-Africana: Cristãos obrigam muçulmanos a fugir de Bangui
12 de Fevereiro de 2014

Milhares de muçulmanos abandonaram a capital da República Centro-Africana ao longo do fim-de-semana.

 

O êxodo islâmico deu-se sob a ameaça de milícias cristãs que saíram às ruas para aplaudir as comitivas de camiões das forças multinacionais, apinhados de refugiados, que evacuaram os bairros muçulmanos da cidade de Bangui. Os refugiados foram levados para o Chad.

 

Alguns muçulmanos que não conseguiram escapar a tempo foram mortos. Pelo menos um homem que caiu de um camião foi despedaçado pela multidão, segundo testemunhas ouvidos pela “Associated Press”. Ao todo há registo de 18 mortos devido à violência durante o fim-de-semana, incluindo milicianos cristãos mortos pelas forças internacionais.

 

A República Centro-Africana entrou numa espiral de violência em Março do ano passado, quando forças rebeldes invadiram a capital, destituindo o Presidente. Os rebeldes vinham da zona oriental do país, de maioria islâmica, e enquanto dominaram a cidade ameaçaram e perseguiram os cristãos, levando à formação de milícias cristãs que, inicialmente, agiam em defesa das suas comunidades.

 

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, está a visitar o país desde esta terça-feira após relatos de episódios de violência que o Escritório dos Direitos Humanos considera estar a «ir de mal a pior».

 

«Houve fuga de muçulmanos em números consideráveis transportados em camiões. Vários passageiros teriam sido assassinados após serem obrigados a descer», refere o organismo da ONU.

 

Além da fuga da população, foram mencionados relatos de grupos de homens à caça de membros de outras religiões, aliados a «níveis de ódio muito elevados».

 

Agências noticiosas apontam para a existência de cerca 30 mil centro-africanos no Chade e outros 10 mil nos Camarões.

 

O porta-voz do Escritório das Nações Unidas de Direitos Humanos também cita relatos dando conta de que grupos rebeldes estariam a extorquir dinheiro de pequenas empresas.

 

Em Genebra, Rupert Colville destacou o que considera preocupante clima de clara impunidade para crimes seguidos de declarações públicas dos rebeldes anti-Balaka a reivindicar responsabilidade pelos ataques. O representante também fez alusão a parlamentares na assembleia nacional que poderiam instigar à violência comunitária.



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