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Santa Sé: João XXIII e João Paulo II: humanidade e profetismo
23 de Abril de 2014

Os dois papas que serão canonizados a 27 de Abril tiveram de enfrentar críticas a algumas das suas opções mais importantes: João XXIII por ter convocado o concílio, João Paulo II por viajar. Preocupava-os o lugar do catolicismo num mundo em profunda transformação. Humanidade, profetismo e polémicas de dois papas que são declarados santos do nosso tempo.

 

A anedota mais conhecida talvez seja a de quando o Papa João XXIII decidiu mostrar o que queria com o Concílio Vaticano II: cansado das críticas de várias pessoas por ter convocado a assembleia conciliar, e estando um dia rodeado de alguns desses críticos, saiu do trono papal e abeirou-se de uma janela, abrindo-a de par em par. «Esta é a minha resposta sobre o concílio: ar fresco», disse, com um ar entre o «jubiloso e o indignado», como conta Constantino Benito-Plaza (Juan XXIII – 200 Anédoctas, ed. Sígueme).

 

Neste livro não se regista a segunda parte da história, mas conta-se que a abertura da janela terá tirado alguns papéis do sítio. E um dos interlocutores diria: «Mas vem desarrumar-nos as coisas.» Sem o saber, e tomando a história como verdadeira, esse interlocutor acertou em cheio: a janela que João XXIII abriu trouxe ar puro à Igreja, mas deixou muitos – e o próprio catolicismo – à procura do papel concreto no novo mundo que despontava.

 

Uma viagem de comboio a Assis, em 1962, como peregrino de São Francisco, foi outro dos sinais da abertura de João XXIII e o primeiro passo para as viagens internacionais de Paulo VI (Jerusalém, ONU, Índia ou Fátima) e João Paulo II. Este último, com 104 viagens a 129 países, em quase 27 anos de pontificado – um dos mais longos da História –, teve mesmo no seu papel de peregrino universal uma das marcas fortes do pontificado. E não ficaram de fora situações difíceis em termos sociais ou para a presença da Igreja (Médio Oriente, Polónia e Leste europeu, Cuba, Bósnia, Marrocos, Sudão, Turquia, América Latina, Indonésia, Coreia do Sul, entre outras...)

 

Tal como João XXIII com o concílio, também João Paulo II foi criticado pelas viagens que começou a fazer. De tal modo que, em Junho de 1980, menos de dois anos após a eleição e depois de já ter visitado 14 países, o próprio justificou a opção, num discurso à Cúria na véspera de sair para o Brasil: «O papa viaja para anunciar o evangelho, para “confirmar os seus irmãos” na fé, para consolidar a Igreja, para encontrar o homem.»

 

A reportagem completa, de autoria do jornalista António Marujo e publicada na revista Além-Mar do mês de Abril de 2014, está disponível AQUI.



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