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África: Momento de transformação
22 de Janeiro de 2014

Em uma Carta Aberta dirigida aos líderes africanos, Joaquim Chissano, antigo Presidente da República de Moçambique e actual co-presidente do High-Level Task Force for the ICPD (International Conference on Population and Development), sinaliza para o momento de transformação para a África e para o mundo.

 

No texto, publicado na página de internet do jornal «Público», Chissano revela o que deve ser o ponto principal desta transformação: “Líderes do continente inteiro, sob o hábil comando da Presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, estão a finalizar um documento crucial que definirá a posição comum africana sobre a nova agenda para o desenvolvimento que irá substituir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (MDG) após 2015”.

 

De acordo com Chissano, desde os anos 90 que a África “tem vindo a ganhar uma força considerável nas negociações internacionais, mantendo-se unida e forjando consenso em assuntos importantes.

 

Para o ex-presidente moçambicano, esta “é uma estratégia que nos reforçou (o continente) em muitos aspectos e significa que as nossas vozes serão escutadas quando for negociado o enquadramento que vai guiar governos, doadores e parceiros para o desenvolvimento nos anos futuros. Por isso, precisamos de ser cautelosos quanto ao que almejamos”.

 

E sobre este momento crucial, Chissano pede aos líderes africanos que “se apoiem nas lições do passado, mas que também prestem atenção às realidades presentes e que olhem para o que o futuro nos oferece, porque esta nova agenda para o desenvolvimento vai afectar as vidas de milhões de africanos”.

 

Chissano encoraja os líderes africanos a “tomarem uma posição forte em prol dos direitos humanos fundamentais e garantam as liberdades básicas de todos os seus cidadãos” e define que isto significa avançar nas três prioridades que estão no centro do desenvolvimento sustentável: o empoderamento das mulheres e a igualdade do género; os direitos e o empoderamento dos adolescentes e dos jovens; e a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos de todos os cidadãos”.

 

“A agenda internacional que iremos ajudar a forjar não é só para nós, para o momento, mas para as próximas gerações e para o mundo. Quando penso nestes assuntos, recordo-me das palavras do nosso estadista recentemente falecido, que ganhou tanta sabedoria no decorrer da sua longa caminhada para a liberdade. “Ser livre não é um mero rebentar das correntes de alguém”, disse Nelson Mandela, “é viver de um modo que respeite e melhore a liberdade dos outros”.

 

“Sejamos fiéis às suas palavras imortais”, conclui Joaquim Chissano.



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