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Sudão do Sul: Aumenta a tensão em Leer
21 de Janeiro de 2014

O missionário comboniano Raimundo Rocha dos Santos reporta a tensão que se vive em Leer com a chegada iminente das tropas leais ao Governo. Mantenhamos o Sudão do Sul sob o radar da nossa oração.

 

Caros amigos e amigas, muita paz.

Os conflitos no Sudão do Sul voltam a criar tensão e transtornos na missão de Leer. Tudo tinha ficado mais calmo em Leer desde a semana passada. Porém, na noite desta segunda-feira, 20 de Janeiro, se podia escutar tiros em várias partes da cidade durante toda a noite.

 

 Por volta da meia-noite e mais tarde por volta das duas da manhã alguns jovens vieram nos informar que as tropas do governo tinham avançado bastante rumo a Leer e que estariam nos campos de petróleo de Rier/Tharjath a 70 quilómetros de Leer. Os tiros seriam para informar a população (também para provocar caos, fuga e saques).

 

A partir da meia-noite o povo começou a deixar Leer rumo a vilas e lugares remotos mais seguros com medo de que as tropas do governo pudessem chegar a Leer e haver confrontos com os ‘rebeldes’.

 

Sinceramente não sei qual dos dois grupos é pior. Chegam até nós notícias de horrores provocados pelas tropas.

 

A cidade está quase deserta. Há informações de que o mercado teria sido saqueado e que indivíduos armados (possivelmente soldados) estariam assaltando o povo em fuga.

 

Às 4h00 da manhã alguns catequistas vieram nos informar sobre o que estava acontecendo e que estariam também em fuga.

 

 Às 5h30 tivemos uma reunião de emergência entre nós missionários. Discutimos a situação e resolvemos ficar na missão.

 

Às 7h00 celebramos a Eucaristia em meio à tensão, mas com muita fé. Ainda se podia ouvir tiros, mas não era nenhum ataque.

 

Um tanque e mais alguns veículos militares chegaram a Leer.

 

Fui visitar o hospital e os pacientes tinham sido levados para a casa dos médicos dos Médicos Sem Fronteiras. Alguns também fugiram, os mais graves permanecem.

 

Soldados levaram dois carros dos MSF à força. A equipa de médicos deixou a área em dois aviões dos MSF.

 

É provável que os soldados ‘rebeldes’ levem os outros carros e que saqueiem o hospital. As violências e abusos são cometidos principalmente pelos soldados.

 

Não nos fizeram nada, estamos bem, mas apreensivos. A rede de telefone funciona muito mal. Ainda temos internet e dois telefones-satélite.

 

Fora de Leer, na Etiópia, as delegações que negociam o acordo de paz conseguiram elaborar um rascunho do acordo que teria agradado ao presidente, mas ainda não o assinaram, portanto os conflitos continuam.

 

Lamentamos profundamente pelo povo que não tem mais para onde fugir nem o que levar, sobretudo idosos e crianças.

 

Continuemos rezando pela paz e fim dos conflitos. Tentarei de lhes manter informados, se puder.

 

Fiquem com Deus e muito axé.

 

Pe. Raimundo Rocha, Missionário Comboniano em Leer, Sudão do Sul



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