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Europa: Cáritas aponta os custos humanos da crise
28 de Março de 2014

Sob a coordenação da Cáritas Europa foi apresentado, na quinta-feira, 27 de Março, o segundo relatório de acompanhamento da crise com o título “A crise europeia e o seu custo humano”. Esta apresentação decorreu em Atenas, por estar a Grécia a presidir, neste semestre, à União Europeia. Dado o agravamento da crise na Europa, este relatório, para além de abranger a situação de Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal alargou-se também ao Chipre e à Roménia. Na base da sua elaboração estiveram documentos oficiais, estatísticas europeias, assim como o contributo dado pelas Cáritas dos referidos países.

 

“Neste relatório sai reforçada uma das tónicas já evidenciadas no primeiro e que aponta para a injustiça da atual situação em que são os contribuintes, a maioria deles já em condições de fragilidade económica, a pagar por uma crise que tem a sua raiz no setor financeiro”, afirma a Cáritas.

 

“Por outro lado, a opção pela austeridade como única solução, por si só, não chega para resolver as causas estruturais da crise nem os problemas imediatos dela resultantes. A prová-lo estão os números apresentado no relatório, onde se evidencia o impacto que tem tido, por exemplo, no setor da saúde e está na génese da quebra de confiança dos cidadãos nas instituições nacionais e europeias!”, acrescenta.

 

O relatório, hoje apresentado, pretende dar mais um contributo para uma reflexão que não pode ser exclusivamente económica e financeira, mas de ordem política mais abrangente, tendo em conta a necessidade de um desenvolvimento assente numa maior equidade social.

 

Relativamente a Portugal, o relatório retoma preocupações já veiculadas no primeiro e faz uma análise, tendo em conta a situação existente até final do ano passado. É óbvio que algumas das preocupações evidenciadas poderão já ter sofrido ligeiras alterações. Contudo, destaca-se: o aumento galopante da divida pública que, em 2012, foi o maior da EU a 27; o apoio à recapitalização do setor bancário não se refletiu na economia real (persiste a falta de acesso ao crédito das PMEs); a atividade económica só começou a dar sinais positivos nos finais de 2013, ao contrário do que se anunciava; a instabilidade política vivida no verão do último ano que gerou reação menos positivas nos mercados; a forma como se tem procurado alcançar as metas do programa, em particular, o forte aumento tributário e os cortes salariais e nas pensões de reforma, entre outros.



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