Página Inicial







Brasil: Indígenas sofrem com a violência
15 de Junho de 2012

O «Conselho Indigenista Missionário» (Cimi), organismo da Igreja Católica no Brasil, apresentou na quarta-feira, 13 de junho, os dados de 2011 do «Relatório Anual de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil».

 

Entre as principais acusações estão o racismo, genocídio, danos ambientas nas áreas indígenas, morosidade na regularização de terras e morte por desassistência na área de saúde.

 

Submetidos a vários tipos de violência, o relatório aponta uma média de 55 assassinatos de indígenas entre os anos de 2003 e 2011, num total de 503 mortos nesse período; em 2011, registram-se 51 vítimas.

 

«Nosso serviço não é de caridade assistencialista, mas aos nossos irmãos e irmãs que possuem seus direitos renegados. Nossa sensação é de que os conflitos têm aumentado», reitera Dom Leonardo, secretário-geral da CNBB.

 

Das 51 mortes registradas no relatório no ano de 2011, 32 são de Guarani Kaiowá, do estado de Mato Grosso do Sul, o que corresponde a 62 por cento das mortes a nível nacional.

 

«No Mato Grosso do Sul, a situação é bastante crítica, retrato de uma guerra e genocídio contra os Guarani Kaiowá. Há uma série de denúncias e ações contrárias do poder executivo frente a esses povos, que inverte totalmente a situação afirmando que os índios afetam o desenvolvimento do estado», critica a antropóloga e professora Lúcia Helena Rangel.

 

Outro dado alarmante do relatório refere que em um período de onze anos foram registrados 555 suicídios de índios no Mato Grosso do Sul. No ano passado, 45 indígenas se suicidaram; em 2010 foram 42 casos. A incidência está entre jovens de 14 a 18 anos e adultos entre 21 e 30 anos, sendo de maioria do povo Guarani Kaiowá.

 

Esta semana o «Conselho Indigenista Missionário» recebeu o «Prémio Nacional de Direitos Humanos» pelos seus 40 anos de atuação junto aos povos indígenas do Brasil.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados