Página Inicial







Mundo: Crianças sem infância
11 de Junho de 2012

A revista «Além-mar» do mês de junho de 2012 traz como destaque de capa a problemática da exploração de mão-de-obra infantil no mundo. O número de adolescentes entre os 15 a 17 anos que trabalham está a aumentar e a crise económica não pode tornar-se uma desculpa para uma menor ambição e inércia no combate ao trabalho infantil.

«Os progressos relativamente ao fim do trabalho infantil estão a enfraquecer, e nós não estamos no bom caminho para pôr fim às piores formas de trabalho infantil até 2016», alerta o diretor-geral da «Organização Internacional do Trabalho» (OIT), Juan Somavia.

 

Em 2010, a comunidade internacional adoptou um roteiro para a eliminação das piores formas de trabalho infantil até 2016, o qual assinala que o trabalho infantil representa um obstáculo para os direitos da criança e para o seu desenvolvimento em geral. O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, que se comemora a 12 de Junho, pretende realçar o caminho que ainda precisa ser percorrido para que o roteiro seja uma realidade.

 

Para a UNICEF, o trabalho infantil é definido como toda a forma de trabalho abaixo dos 12 anos de idade, em quaisquer actividades económicas; qualquer trabalho entre 12 e 14 anos que não seja trabalho leve ou todo o tipo de trabalho abaixo dos 18 anos enquadrado pela OIT nas piores formas de trabalho infantil. Dois terços das crianças de 5 a 17 anos não são remunerados.

 

É nas actividades agrícolas que predomina o recurso ao trabalho infantil. Essa realidade corresponde a 60 por cento dos casos detectados em todo o mundo. A maior parte dessas crianças trabalha para a família, devido à situação de pobreza em que esta vive. Apenas uma em cada cinco é paga pelo que faz, no caso da agricultura. Os serviços também exploram essa mão-de-obra em 25,6 por cento dos casos. Segue-se a indústria com sete por cento.

 

Uma em cada quatro crianças trabalha na África Subsariana (65,1 milhões de crianças), contra uma em cada oito na região Ásia-Pacífico (113,6 milhões) e uma em cada dez na América Latina-Caraíbas (14,1 milhões). Enquanto o trabalho de crianças entre 5 e 14 anos vem recuando nas três últimas grandes regiões, aumentou na África Subsariana, passando de 49,3 milhões para 58,2 milhões. A pouca escolarização das crianças na África Subsariana em que uma em cada três não frequenta a escola primária, o mais elevado índice de prevalência do VIH/sida do mundo, bem como o aumento de conflitos nos quais crianças são alistadas, tornam as crianças subsarianas mais vulneráveis ao trabalho e à exploração do que outras em outros lugares do mundo.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados