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Brasil: Apelo indígena contra «morte coletiva»
30 de Outubro de 2012

As populações indígenas brasileiras, Guarani e Kaiowá, estão ameaçadas na sua sobrevivência. Uma ameaça que se vem agudizando desde os anos 70. Hoje, os Guarani e Kaiowá fazem sentir a sua voz através de cartas públicas pedindo que lhe seja decretada oficialmente «morte coletiva» em vez de ordem de despejo.

 

Nas últimas semanas, documentos assinados por integrantes do povo indígena Guarani-Kaiowá que vive no estado de Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do país, circularam na imprensa e nas médias sociais. O mais comovente deles foi divulgado no início do mês, em resposta a uma ordem judicial de reintegração de posse de uma fazenda no município de Iguatemi. A carta assinada por indígenas Guarani-Kaiowá da comunidade de Pyelito Kue pede que a justiça decrete a «morte coletiva» dos indígenas em vez da expulsão de seu território tradicional.

 

No dia 25 de Outubro, a organização de defesa dos direitos indígenas «Survival International» divulgou um comunicado a pedir «que seja permitido aos Guarani permanecer em sua terra, e que todos os territórios Guarani sejam demarcados urgentemente, antes que mais vidas sejam perdidas».

 

A imprensa chegou a falar de um possível suicídio coletivo, mas nota divulgada pelo «Conselho Indigenista Missionário» (Cimi) alerta para a interpretação equivocada da posição dos indígenas. «Os Kaiowá e Guarani falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nelas, sem jamais abandoná-las», diz o documento, que reflete preocupação da entidade com uma possível onda de alarmismo que pode ser mais prejudicial para os grupos indígenas.



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