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Mundo: Missionário lança apelo para deter apropriação de terras
19 de Novembro de 2012

O padre Alex Zanotelli divulgou um apelo contra a apropriação de terras no mundo inteiro, mas especialmente em África.

 

No texto, o missionário comboniano diz que «não podemos aceitar, tanto como cidadão e crentes, esta nova forma de colonialismo odiosa e perigosa».

 

«É a negação dos direitos humanos fundamentais: o direito a alimentação e à água! Este novo fenómeno trará fome e desespero a milhões de pessoas do Sul do mundo», afirma o comboniano.

 

De acordo com o padre Zanotelli, nos últimos anos, milhões de hectares de terras aráveis ​​foram comprados, a preço muito baixo, a fim de produzir alimentos, ração animal, ou bio-combustível para o benefício dos especuladores, mas prejudicando os agricultores locais e pastores de quem foram tomados o acesso à terra e à água.

 

«Muitas vezes, as pessoas expulsas da terra são vítimas de remoção violenta, ficam sem o pagamento adequado e sem outras fontes de renda. Muitas vezes, tudo o que resta para eles é juntarem-se às multidões das favelas. Só em África, os cálculos apontam para 67 milhões de hectares de terra “açambarcados” - o equivalente à área da Alemanha e Itália.

 

O Eldorado da apropriação de terras é hoje a África (mesmo que o fenómeno esteja presente também na Ásia e na América Latina). Este desastre foi trazido à tona em 2008, quando o governo de Madagáscar chegou a um acordo com a gigantesca multinacional coreana Daewoo, que previa a gratuidade da taxa para 99 anos a metade da terra arável do país. Uma negociação polémica que acabou por derrubar o governo de M. Ravamanana.

 

Mas em África não há apenas a Coreia, há também as grandes potências asiáticas: China e Índia. O último investiu 2,4 mil milhões de dólares na aquisição de terras no leste do continente: Etiópia, Quénia, Madagáscar e Moçambique.

 

É por isso que a Família Comboniana JPIC, reunidos no Rio de Janeiro, em junho, decidiu preparar e apoiar uma campanha de conscientização contra este novo crime contra a humanidade. E a família Comboniana pretende fazê-lo em conjunto com todos aqueles que estão comprometidos com esse tema, como a rede europeia de institutos missionários (AEFJN), com sede em Bruxelas, Bélgica.

 

Vamos dar o grito dos missionários que se reuniram durante o «Fórum Social Mundial» (2011) em Mbour (Dakar): «Queremos continuar a empenhar-nos para assegurar que a África não será vítima de outro genocídio como consequência da apropriação de terras.»



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