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2012 marcado pela perseguição religiosa
8 de Janeiro de 2013

Uma igreja atacada na noite de Natal e pelo menos 15 cristãos degolados no último fim-de-semana do ano. Basta olhar para a Nigéria para se compreender como a cristianofobia continua bem acesa em algumas regiões do mundo. No ano passado, 105 mil cristãos perderam a vida por causa da fé.

 

O medo é tanto que, quando contaram aos jornalitas o hediondo crime que vitimou 15 cristãos em Musari, na Nigéria, no último fim-de-semana do ano, um dos responsáveis pelos serviços médicos locais pediu para não ser identificado. Disse apenas: “as vítimas foram escolhidas porque eram todos cristãos, alguns dos quais haviam-se mudado para outras partes da cidade devido aos ataques do Boko Haram”. O medo está em todo o lado. Até nas sombras de quem passa nas ruas. Nunca se sabe quando uma granada pode rebentar, quando alguém que passa de motocicleta não abre fogo de metralhadora. Nunca se sabe se se chega vivo ao fim do dia. Desde 2009 estima-se que os ataques perpetrados pelo grupo extremista islâmico Boko Haram já causaram mais de 3.000 mortos na Nigéria. O drama é que esta intolerância religiosa acontece em muitos mais países.

 

Massimo Introvigne, coordenador do Observatório da Liberdade Religiosa, em Itália, ao avaliar a situação no mundo em 2012, fala mesmo num drama de “proporções espantosas”. 105 mil cristãos assassinados é um número poderoso de mais. A perseguição é mais visível nos países onde o fundamentalismo islâmico é mais forte (Nigéria, Somália, Mali, Paquistão e Egipto); nos regimes totalitários comunistas (como a Coreia do Norte), e onde existem nacionalismos étnicos (como o Estado de Orissa, na Índia). A estatística, sempre fria, diz que em cada cinco minutos um cristão é morto por causa da sua fé. Massimo Introvigne afirma até que é exercida, que em muitos países, como na Nigéria, “ir à missa ou à catequese transformou-se em algo perigoso”.

 

Em Portugal, a Fundação AIS tem procurado dar voz a esta multidão de mártires que alguns querem erradicar do planeta, congregando o notável esforço de solidariedade dos nossos benfeitores que depois é canalizado para os países onde a ajuda de emergência é mais necessária. Uma ajuda que, acima de tudo, é espiritual. Como recordou o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, durante a missa de Natal, “o cristianismo foi a religião mais perseguida e nem por isso (estes cristãos) deixam de celebrar o Natal, como quem se reconforta na certeza que não está só, antes divinamente acompanhado.”

 

Liberdade religiosa também é tema da revista «Além-mar» no mês de Janeiro de 2013.



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