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Índia: Violência contra mulheres cresce no país
17 de Janeiro de 2013

Física, feminista e activista ambiental indiana sustenta que a violência contra mulheres cresce em seu país porque machismo ancestral combina-se agora com lógica económica que valoriza apenas o lucro e despreza o trabalho da maioria das mulheres.

 

Para Vandana Shiva, a violência contra as mulheres é tão antiga quanto o patriarcalismo na Índia: «O patriarcalismo tradicional estruturou nossas visões de mundo e nossas mentes. Moldou o universo sociocultural indiano na dominação sobre as mulheres, negando-lhes a humanidade e o direito à igualdade».

 

«No entanto - afirma Shiva -, essa dominação se intensificou e se tornou mais perversa recentemente, tomando formas mais brutais, como a morte de Jyoti Singh Pandey, em Nova Délhi, e o suicídio de uma garota de 17 anos, também vítima de estupro coletivo, em Chandigarh».

 

Casos de estupro e violência contra as mulheres dispararam na Índia nos últimos anos. O National Crime Records Bureau registrou 10.068 casos de estupro em 1990, número que saltou para 16.496 em 2000. Em 2011, foram 24.206 estupros – um incrível aumento de 873 por cento desde 1971, quando a instituição começou a registrar esses casos.

 

Assim, Nova Délhi emergiu como a capital do estupro na Índia, respondendo por 25 por cento dessas ocorrências.

 

«Até que se faça justiça por nossas filhas e nossas irmãs violentadas, o movimento contra a violência não pode parar. E, enquanto intensificamos nossa luta por justiça, também precisamos questionar: Por que os casos de estupro cresceram 240 por cento desde 1990, época em que as novas políticas económicas foram introduzidas no país? Há uma relação entre os crimes contra as mulheres (mais intensos, mais brutais) e a economia (imposta, injusta e insustentável)? Acredito que sim», declara Vandana Shiva.

 

A activista indiana conclui que, «esse modelo patriarcal distancia as mulheres das fontes naturais das quais dependem – a terra, a floresta, as sementes e a biodiversidade. Reformas económicas ancoradas na ideia de crescimento ilimitado num mundo limitado só podem ser mantidas com os poderosos arrebatando recursos dos vulneráveis. O ‘roubo’ de recursos, essencial para o tal crescimento, cria uma cultura do estupro: o estupro da Terra e das mulheres».



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