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Chade: Bispo Comboniano expulso do país
15 de Outubro de 2012

O missionário comboniano D. Michele Russo, bispo da diocese de Doba, no sul do Chade, acaba de chegar a Roma, expulso por decreto do Governo do Chade, na África Central.

 

Na passada sexta feira à noite, o Conselho Nacional da Informação do Chade tornava pública a decisão do governo de expulsar do país o Bispo D. Michele Russo, por ter criticado o governo pelo modo como este está a gerir os benefícios da exploração do petróleo na região.

 

A diocese de Doba, no sul do país, é o centro das explorações petrolíferas, que começaram em 2003, mas de cujos proveitos as populações locais têm sido mantidas sistematicamente afastadas. Na sua homilia, transmitida por uma rádio local, o bispo denunciava o estado de miséria em que vive a população.

 

D. Michele Russo é um missionário comboniano natural da Itália. Tem 67 anos de idade e vive no Chade como missionário há 36 anos, 23 dos quais como bispo de Doba. É conhecido no país pelo seu envolvimento em acções de desenvolvimento e transformação social. Teve, igualmente, um papel importante na reconciliação entre os grupos rebeldes e na elaboração dos acordos de paz que puseram fim à guerra civil e inauguraram o actual período de paz.

 

O governo acusa D. Michele Russo de incentivar a população à rebelião contra o governo central, coisa que o bispo não fez na sua homilia, e deu-lhe uma semana para deixar o país. Um encontro, no sábado passado, entre o Arcebispo de N’Djamena Matthias N’Gartéri Mayadi, o Ministro da Administração Territorial e o próprio D. Michele Russo não conseguiu evitar a expulsão.

 

Sectores da Igreja Chadiana e os Missionários Combonianos reafirmaram a sua solidariedade para com D. Michele Russo. O Pe Henrique Sanchez González, Superior Geral dos Missionários Combonianos tornou pública uma nota em que afirma que «o Superior e o Conselho Geral dos Missionários Combonianos manifestam, em nome de todo o Instituto, solidariedade para com D. Michele Russo e para com a população de Doba, desejando que se criem as condições para um diálogo com as autoridades do país, a fim de evitar que a Igreja de Doba fique sem o seu pastor».



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