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21 de Outubro: Dia Mundial das Missões
19 de Outubro de 2012

No dia 21 deste mês de Outubro, celebra-se o Dia Mundial das Missões: um apontamento com a missão, para adequar estilos de vida, planos pastorais e organização eclesial à dimensão fundamental do ser Igreja. Um momento para, pelo testemunho e pela palavra, mostrar a beleza do Evangelho.

 

A celebração do Dia Mundial das Missões dá o tom ao mês de Outubro, e traz a dimensão missionária da Igreja para o centro das preocupações pastorais. Cada ano, entre nós, a Comissão Episcopal das Missões e as Obras Missionárias Pontifícias, com a colaboração dos Institutos Missionários ad Gentes, editam e distribuem o Guião Missionário para ajudar as comunidades cristãs (dioceses e paróquias) a viverem o mês de Outubro com um sabor missionário mais forte. O guião deste ano tem por título «Vive a Missão, transmite a Fé» e apresenta reflexões, sugestões de itinerários para esse fim.

 

Mensagem e contexto

 

Cada ano também, o papa envia à Igreja uma mensagem para assinalar a efeméride e convidar os católicos à acção (ver caixa com insertos da deste ano, que tem por título «Chamados a fazer brilhar a Palavra da Verdade»). Ultimamente, as mensagens são publicadas com muita antecedência, o que pode facilitar a sua difusão, mas também contribui para o obscurecimento dos seus conteúdos. Começam a ser publicadas com muita antecedência e quando chega o Dia Mundial das Missões corre-se o risco de se terem esquecido os seus conteúdos.

Das mensagens escritas para estes dias, a deste ano é a que mais revela, em alguns parágrafos, o cunho pessoal de Bento XVI. De facto, ele situa a celebração do Dia Mundial das Missões de 2012 no contexto que lhe é caro e nas iniciativas que ele vai lançar para dar novo impulso à actividade evangelizadora da Igreja: a saber, a celebração do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, de 7 a 28 de Outubro; o lançamento do Ano da Fé, de 11 de Outubro deste ano a 24 de Novembro de 2013.

 

Preocupações pastorais

 

Por detrás destas iniciativas, Bento XVI deixa transparecer e partilha com os católicos as preocupações deste momento do seu pontificado: devolver aos católicos a «alegria de viver e comunicar a fé». Na sua mensagem, o papa reafirma a eclesiologia do Concílio Vaticano II, que coloca a missão como dimensão fundamental da Igreja, o seu «constante horizonte» e o «paradigma por excelência» de toda a sua acção pastoral.

Na sua mensagem, Bento XVI enfatiza testemunho e palavra. Estas são as duas palavras-chave, irmãs gémeas nesta visão de Igreja. A primeira é anunciar: Cristo «hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da Terra». A segunda acompanha-a como terra que lhe garante a fecundidade: o testemunho. Por isso, recorda-nos o papa, «necessitamos de retomar o mesmo ímpeto apostólico das primeiras comunidades cristãs, que, pequenas e indefesas, foram capazes, com o anúncio e o testemunho, de difundir o Evangelho em todo o mundo até então conhecido».

Este espírito apostólico a que Bento XVI faz apelo, a alegria de crer e testemunhar, são dons do Alto e nascem de um «encontro com a pessoa viva de Cristo»: encontro que «sacia a sede do coração» e «só pode levar ao desejo de compartilhar com os outros a alegria desta presença»; encontro que nos torna capazes de «ler a história, analisar os problemas, aspirações e esperanças da humanidade» e de testemunhar que a Sua Palavra tem a beleza, a verdade e a bondade por que aspiram «as inquietações mais profundas de toda a pessoa humana».

 

 

 

 

Universalidade da Igreja

 

A celebração do Dia Mundial das Missões reveste-se este ano de um significado todo especial. A circunstância do 50º. aniversário do decreto conciliar ad Gentes, a abertura do Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos sobre o tema da Nova Evangelização convergem em reafirmar a vontade da Igreja de se empenhar com mais coragem e ardor na missão ad gentes para que o Evangelho chegue até aos extremos confins da Terra.

O Concílio Vaticano II, com a participação dos bispos católicos provenientes de todos os recantos da Terra, foi um sinal luminoso da universalidade da Igreja, acolhendo pela primeira vez um número tão alto de padres conciliares provenientes da Ásia, da África, da América Latina e da Oceânia. Bispos missionários e bispos autóctones, pastores de comunidades espalhadas entre populações não cristãs trouxeram para a reunião conciliar a imagem de uma Igreja presente em todos os continentes.

Enriquecidos com a experiência derivada de ser pastores de Igrejas jovens e em via de formação, animados pela paixão pela difusão do Reino de Deus, eles contribuíram de maneira relevante para reafirmar a necessidade e a urgência da evangelização, e, portanto, para trazer ao centro da eclesiologia a natureza missionária da Igreja.

Cristo «hoje, como outrora, envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da Terra» (carta apostólica Porta Fidei, 7). Sim, esta mensagem é necessária. É única. É insubstituível. Portanto, necessitamos retomar o mesmo ímpeto apostólico das primeiras comunidades cristãs, que, pequenas e indefesas, foram capazes, com o anúncio e o testemunho, de difundir o Evangelho em todo o mundo até então conhecido.

 

Bento XVI, em Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2012

 



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