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Angola: Igreja Católica combate a feitiçaria
29 de Novembro de 2012

A Igreja Católica angolana está em guerra contra a feitiçaria. Os fiéis, religiosos e sacerdotes que a ela recorram, ou a fomentem, podem ser suspensos e ser-lhes vedada a comunhão.

 

A decisão foi tomada na semana passada e pretende responder ao «incremento» da crença na feitiçaria, um fenómeno que está a alarmar a hierarquia católica e foi apresentado como uma «praga cultural» pelo arcebispo José Manuel Imbamda, porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé.

 

O comunicado final da assembleia geral da conferência episcopal, que terminou na semana passada em Luanda, e em que foi aprovada uma nota pastoral sobre feitiçaria, fala em «penas de interdição e suspensão temporárias».

 

Numa entrevista à Rádio Renascença, José Queirós Alves, arcebispo do Huambo, foi mais longe e disse que está também previsto suspender os envolvidos de «participar na comunhão».

 

É conhecida a posição da hierarquia católica, que há muito chama a atenção para a incompatibilidade entre cristianismo e práticas de feitiçaria. A novidade é que às palavras se somam agora «sanções correctivas», como lhes chamou José Manuel Imbamda, em declarações divulgadas pela estação católica angolana Rádio Ecclesia.

 

O problema vem de longe – e existe em diferentes países africanos – mas «ganhou proporções tão graves que perturba a vida dos cristãos, destrói os laços familiares e afecta as relações entre as pessoas». Vai ao ponto de «perturbar a ordem pública, devido à prática de justiça privada», diz a nota dos bispos.

 

O porta-voz da Conferência Episcopal anunciou disponibilidade da Igreja para trabalhar com entidades como as governamentais e estudiosos para ajudar a compreender que «a crença na feitiçaria é um atraso, é uma paralisia social». «Ficamos todos emaranhados nesta teia de crendices que não nos ajudam a evoluir», considerou.

 

As represálias contra pessoas acusadas de feitiçaria também são comuns. Em 2010, os bispos pediram protecção especial para o número crescente de crianças que sofrem abusos e são abandonadas – já houve casos de morte – por familiares e pessoas próximas que vêem nelas o motivo dos seus infortúnios.

 

Quando visitou Angola, em 2009, o Papa Bento XVI pediu que fossem combatidas a bruxaria e os rituais com sacrifícios humanos. «Chegam a condenar crianças de rua e até idosos, porque, dizem, são bruxos», afirmou, numa homilia. 

 

No ano passado, o chefe da Igreja voltou ao assunto. «Aflitos com os problemas da vida, não hesitamos em recorrer a práticas que são incompatíveis com os caminhos de Cristo. Os abomináveis efeitos são a marginalização e mesmo a morte de crianças e de idosos condenados pelas falsas percepções da feitiçaria», disse aos bispos do país, no Vaticano.

 

Estatísticas oficiais divulgadas quando o Papa visitou o país indicavam que 55 por cento da população angolana é católica e que 25 por cento acreditava em religiões tradicionais.

 

Com informações do «Público».



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