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Brasil: Fazendeiro condenado pela morte de missionária
20 de Setembro de 2013

Pela terceira vez em seis anos, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o "Bida", foi condenado por ser o mandante da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005. O julgamento ocorreu na quinta-feira, 19 de Setembro, em Belém.

 

Os jurados entenderam que ele encomendou o crime. A sentença do juiz Raimundo Moisés Alves Flexa determinou pena de 30 anos de prisão, semelhante ao do último julgamento, em 2010.

 

O magistrado alegou que «ela foi morta por conflitos fundiários, covardemente abatida, sem concorrer para o crime. Era uma pessoa de clara generosidade com o seu semelhante». «A pena deve ser servir de exemplo», afirmou.

 

Dorothy realizava trabalho social na região de Anapu, sudoeste do Pará, para implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável. Ela foi morta em 12 de fevereiro de 2005. À época com 73 anos, ela levou seis tiros após ser abordada em uma estrada de terra de difícil acesso do município.

 

Agora é preciso ver quanto tempo o condenado passará na cadeia, sendo que o assassino confesso da missionária, Rayfran das Neves Sales, foi também condenado a uma pena de 27 anos de prisão e após cumprir pouco mais de cinco anos em regime fechado ganhou o direito de cumprir o restante da pena em regime domiciliar – o criminoso deve apenas se apresentar mensalmente às autoridades.

 

O advogado da «Comissão Pastoral da Terra» (CPT), José Batista, deu a seguinte declaração sobre o caso: «O crime compensa, né? Se a pessoa cumprir cinco anos de pena, aqui no Pará ninguém vai deixar de receber encomenda de morte. São altos valores à custa de cinco anos de prisão. Isso é uma vergonha, ele é o acusado de ser o executor do crime, que é bárbaro, ser o autor da morte de uma missionária de mais de 70 anos. Aí cumpre pouco mais de cinco anos em regime fechado e com oito anos fica livre para ficar em casa, tranquilo. Isso é um estímulo à impunidade!».

 

Para a irmã Margarida Pantoja, integrante do «Comitê Dorothy Stang», a sensação de impunidade estimula os jovens a cometer crimes. «Infelizmente aconteceu isso em 2005. Lutamos para que esse caso não caísse no esquecimento. A sensação é terrível. Não de não acreditar na Justiça, mas a lei favorece o criminoso. No Brasil, é fácil matar. Você mata alguém e daqui a pouco está livre. Nós não perdemos o projeto que ela tocava, mas perdemos a irmã Dorothy", lamenta.

 

O advogado da CPT afirma ainda que a impressão é de que a justiça foi feita está distante do que é decidido nos tribunais. «Passa para a sociedade, no momento na condenação, que está se fazendo justiça. Mas na hora da execução, a pena está muito distante do que a pessoa de facto cumpre. A sociedade não tem essa informação. O júri tem a imagem que ele vai cumprir tudo, mas de 30 anos para pouco mais de cinco em regime fechado é uma diferença muito grande», ressalta José.



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