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Vaticano: Relações com a China continuam emperradas
26 de Junho de 2013

O Diretor da Agência «AsiaNews», o Padre Bernardo Cervellera, disse que para abrir canais diplomáticos «Pequim continua a colocar as mesmas condições do tempo de Mao: cortar relações com Taiwan e não interferir nos assuntos internos, que significa não nomear bispos».

 

Em entrevista ao Vatican Insider, publicação ligada ao jornal italiano La Stampa, o Padre Bernardo traçou um panorama das relações entre Roma e Pequim, onde observou que também os católicos «oficiais» sofrem limitações e que o missionário jesuíta Matteo Ricci continua ajudando a Igreja na China através seu testemunho dado no século XVII.

 

Padre Cervellera observa que a nível político e formal não existe nenhuma evolução nas relações entre governo comunista e confissões religiosas. A nível informal, no entanto, verifica-se eventualmente, alguma situação que poderia antever alguma melhoria, mas em seguida o governo retoma a habitual repressão.

 

«Ainda estão presos dois bispos com mais de 80 anos e cerca de dez sacerdotes, sem falar no caso do Bispo Auxiliar de Shanghai, Dom Ma Daqin, em prisão domiciliar, somente por ter decidido sair da estrutura de controle da Associação Patriótica», denunciou.

 

Recentemente transcorreu o 24º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial. As Mães de Tiananmen acusam Xi Jinping de querer retornar à ortodoxia maoísta. Interpelado pelo Vatican Insider sobre o fundamento desta acusação, o Diretor da AsiaNews afirmou acreditar nisto: «Não obstante as esperanças depositadas no novo líder chinês – que mostrou-se inicialmente ser um reformista – seu modo de agir lembra políticos dos anos cinquenta. Xi sabe que se criticar Mao pela Revolução Cultural ou por desastres do Grande progresso, será criticado pelo Partido e ele tem muito medo disto».

 

Falando sobre o jesuíta Matteo Ricci, disse que seu caminho em direção à honra dos altares ajuda muito a Igreja na China.

 

«O grande missionário jesuíta é muito amado pela Igreja chinesa – junto com seu primeiro convertido, Paolo Xu Guangqi - e é respeitado até mesmo pelo governo. A sua obra de inculturação e a sua grande sabedoria são admiradas e respeitadas e os católicos vêem nele um “pai nobre”. Mas ele foi também um grande servidor do povo, sem corrupção. O governo teme as comparações com este herói do século XVII».

 

Profundo conhecedor da realidade chinesa, Padre Cervellera falou sobre a liberdade religiosa na China, um país imenso, que compreende muitas realidades diferentes: «No Tibet – explicou – a liberdade religiosa é negada aos budistas, enquanto eles são quase livres em outras províncias, desde que não peçam notícias do Dalai Lama. O mesmo acontece com os muçulmanos, que na Província de Xinjiang são equiparados a terroristas enquanto no resto do país tem bastante liberdade de ação. Para os cristãos – católicos e protestantes – o discurso está ligado à sua pertença ou não à Associação Patriótica, um organismo que Bento XVI definiu como “incompatível” com a fé católica. Mas em muitas situações, também os católicos 'oficiais', sobretudo o clero, sofrem limitações”. Em função desta realidade, o Diretor da AsiaNews concluiu afirmando “não existir liberdade religiosa na China”».



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