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Vaticano: Documento sobre refugiados e deslocados
7 de Junho de 2013

Foi divulgado na quinta-feira, 6 de Junho, no Vaticano, o documento «Acolher Cristo nos refugiados e nas pessoas deslocadas à força» elaborado pelo Pontifício Conselho para os Migrantes e os Itinerantes e pelo Pontifício Conselho Cor Unum.

 

O Papa Bento XVI afirmou que o amor se eleva acima de quaisquer limites ou distinções: «A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário. Ao mesmo tempo, porém, a caritas-agape estende-se para além das fronteiras da Igreja; a parábola do bom Samaritano permanece como critério de medida, impondo a universalidade do amor que se inclina sobre o necessitado encontrado “por acaso” (cf. Lc 10,31), seja ele quem for» (DCE 25).

 

Motivada pela caridade de Cristo e pelo seu ensinamento: «porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim» (Mt 25,35-36), a Igreja oferece o seu amor e a sua assistência a todas as pessoas deslocadas à força, sem qualquer distinção de religião ou de proveniência, respeitando em cada uma delas a dignidade inalienável da pessoa humana, criada à imagem de Deus.

 

Por este motivo, o compromisso da Igreja a favor dos migrantes e dos refugiados pode ser atribuído ao amor e à compaixão de Jesus, o Bom Samaritano. Respondendo ao mandamento divino e atendendo às suas necessidades espirituais e pastorais, a Igreja não somente promove a dignidade humana de cada pessoa humana, mas também proclama o Evangelho de amor e de paz em situações de migração forçada.

 

O documento apela ainda à defesa das vítimas de tráfico e contrabando de seres humanos, pedindo uma maior intervenção da comunidade internacional em favor das pessoas atingidas por esta «ofensa ultrajante» à sua dignidade.

 

«As vítimas foram enganadas a respeito das suas atividades futuras e já não são livres de decidir a respeito da sua própria vida. Acabam em situações semelhantes à escravidão ou à servidão, das quais é muito difícil fugir», lê-se.

 

A finalidade do documento consiste em orientar e despertar uma renovada consciência acerca das várias formas de migração forçada e dos desafios como comunidade ao acolhê-los, ao demonstrar-lhes compaixão e ao tratá-los de maneira justa, os quais são apenas alguns passos simples a dar e, além disso, oferecendo-lhes esperança para o futuro.

 

Como uma atualização à publicação conjunta de 1992: «Os Refugiados: um desafio à solidariedade», o presente documento servirá como linha de orientação para os Pastores da Igreja, para as organizações católicas comprometidas nos vários programas de assistência e de apoio aos refugiados e às pessoas deslocadas à força, para todos os fiéis e todos os homens e mulheres de boa vontade que permanecerem abertos à voz da Igreja. Possa ele ajudá-los a construir «uma só família de irmãos e irmãs em sociedades que se tornam cada vez mais multiétnicas e interculturais» (Mensagem para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, 2011), «praticando a justiça, amando a bondade e caminhando com humildade diante de Deus» (cf. Mq 6,8).



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