Página Inicial







Mundo: Mutilação genital está a diminuir, mas resiste em alguns países
23 de Julho de 2013

Mais de 125 milhões de meninas e mulheres foram submetidas à mutilação genital e 30 milhões de outras raparigas correm o risco de passar por essa situação na próxima década, anunciou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na segunda-feira, 22 de Julho.

 

Apesar de a prática da mutilação genital estar em queda, a prática continua em alguns países, informou o relatório do Unicef, que abrange 20 anos de informações de 29 países da África e do Médio Oriente.

 

A tradição envolve a remoção de parte ou de toda a genitália externa feminina.

 

As leis não são suficientes para acabar totalmente com a prática, e mais pessoas precisam se manifestar para eliminar a tradição entre certos grupos étnicos e comunidades, dizem os especialistas.

 

De acordo com o Unicef, a aceitação social é a razão mais citada para a continuação da prática, embora seja considerada uma violação aos direitos humanos.

«A mutilação está se tornando menos comum em pouco mais da metade dos 29 países pesquisados. Porém, a tradição continua notavelmente persistente, apesar de quase um século de tentativas de eliminá-la», lê-se no relatório.

 

«Trinta milhões de meninas correm o risco de serem mutiladas na próxima década, caso a tendência persista».

 

O ritual é praticado por várias crenças, incluindo cristãos, muçulmanos e seguidores de religiões africanas tradicionais. O relatório revela que as taxas mais altas de mutilação feminina são na Somália, onde 98 por cento das jovens e mulheres entre 15 e 49 anos foram mutiladas; seguida por Guiné (96 por cento), Djibuti (93 por cento) e Egito (91 por cento).

 

A prevalência da mutilação genital entre adolescentes caiu pela metade no Benim, na República Centro-Africana, no Iraque, na Libéria e na Nigéria.

 

Em algumas partes de Gana, 60 por cento das mulheres na faixa dos 40 anos sofreram mutilação genital, contra 16 por cento das adolescentes. Em Togo, por sua vez, 28 por cento das mulheres mais velhas foram mutiladas, enquanto 3 por cento das raparigas na faixa dos 15 aos 19 anos passaram pelo procedimento.

 

Porém, não houve queda em países como Chade, Gâmbia, Mali, Senegal, Sudão e Iémen, segundo o relatório, que descobriu que, mesmo que muitas vezes a mutilação seja considerada uma forma de controle patriarcal, há um nível similar de apoio de homens e mulheres para acabar com a prática.

 

«O apoio geral da prática está em queda», anuncia o documento. «As normas e expectativas sociais dentro das comunidades de indivíduos que pensam da mesma maneira desempenham um papel importante na perpetuação da prática. O desafio agora é deixar raparigas e mulheres, rapazes e homens falarem alto e claro, anunciando que querem o fim dessa prática nociva», disse Rao Gupta, vice-diretor executivo do Unicef.

 

No ano passado, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) adotou uma resolução para intensificar os esforços globais para eliminar a mutilação genital feminina.



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados