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R. Centro-Africana: Situação no país continua imprevisível
19 de Julho de 2013

O presidente de transição da República Centro-Africana (RCA), Michel Djotodia, está a tentar restaurar a segurança na capital Bangui, mas esse objectivo dificilmente será alcançado, pelo que a situação continuará "imprevisível", afirmou nesta sexta-feira, 19 de Julho, um analista.

 

«O governo de Djotodia está a tentar restaurar a segurança em Bangui e controlar a delinquência dos combatentes afectos à coligação Séléka, mas esse objectivo dificilmente terá efeitos práticos», afirmou à agência Lusa Thierry Vircoulon, analista responsável para a região da África Central do International Crisis Group (ICG), uma organização independente voltada para a resolução e prevenção de conflitos armados internacionais.

 

O especialista alertou para a «imprevisibilidade da situação» que se continua a viver não só na capital Bangui,  mas em todo o país, quase quatro meses após os grupos rebeldes do Séléka terem tomado de assalto o poder, depondo o presidente François Bobizé.

 

Vircoulon lembrou que o governo do novo homem forte do país «não tem sido capaz» de controlar os vários grupos de combatentes (entre os quais vários mercenários provenientes do Chade e do Sudão) e restabelecer a lei e a ordem na capital, onde, apesar de algumas melhorias, se continua a viver uma "atmosfera de banditismo".

 

«Neste momento há cerca de 25 mil combatentes do Séléka em Bangui, cinco vezes mais do que o número inicial. E simplesmente não há dinheiro para pagar toda essa gente», explicou Thierry Vircoulon.

 

É por isso que as pilhagens e a delinquência deverão continuar, sustentou.

 

A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) acusou na quarta-feira os combatentes do Séléka de terem cometido «mais de 400 assassinatos» nos últimos quatro meses e de continuarem a «cometer crimes graves contra a população civil».



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