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Itália: Combonianas ao lado de Cécile Kyenge
17 de Julho de 2013

As Irmãs Missionárias Combonianas expressam, através de um comunicado de imprensa, a sua solidariedade com a Ministra Cécile Kyenge, condenando as palavras do Vice-presidente do Senado, Roberto Calderoni.

 

Nascida no Congo mas a residir em Itália desde 1984, a ministra italo-congolesa Cécile Kyenge tornou-se na primeira ministra negra daquele país em abril, quando assumiu a pasta da Integração, a convite do primeiro-ministro Enricco Letta.

 

Desde a sua chegada ao poder que Kyenge tem sido alvo de comentários racistas por parte de partidos e grupos conotados com ideais conservadores. O último surgiu por parte do antigo ministro do Executivo de Silvio Berlusconi e atual membro do Senado, Roberto Calderoli.

 

O senador italiano afirmou que a ministra da Integração tem “traços de orangotango” e aconselhou Cécile Kyenge a ir governar para “o país dela”, declarações bastante criticadas pelo primeiro-ministro Letta.

 

“Adoro animais – ursos e lobos – mas quando olho para imagens de Kyenge não consigo deixar de reparar nos traços de um orangotango, e não estou a dizer que ela seja uma”, referiu o senador.

 

Calderoli, que também é vice-presidente do partido federalista de direita Lega Nord (Liga do Norte), já era conhecido pelos comentários ofensivos.

 

Em 2006, após a vitória da seleção italiana no Mundial de futebol frente à França, Calderoli criticou os franceses por “sacrificarem a sua identidade ao jogarem com negros, muçulmanos e comunistas” e que os políticos de esquerda, seus compatriotas, “apoiavam a seleção francesa e a cabeçada de Zidane”.

 

Também em 2008, Calderoli afirmou numa entrevista televisiva existirem “grupos étnicos mais aptos a trabalhar e outros não. E também mais predispostos a cometerem crimes do que outros”.

 

Comunicado de imprensa

 

Nós Missionárias Combonianas manifestamos a nossa solidariedade com a Ministra Cécile Kyenge e condenamos as palavras ofensivas proferidas pelo Vice-presidente do Senado da República Italiana.

 

A nomeação como Ministra da Integração, que ocorreu há três meses, trouxe-nos alegria pelo sua importância história e humana, na esperança de que isto abriria uma nova era neste país, que quer gostemos ou não, está se tornando cada vez mais uma nação multicultural. Nossa esperança era que, com o papel desempenhado por Cécile Kyenge, teria início uma convivência construtiva e pacífica, certamente enriquecida pela comparação e as diferenças de ideias, mas com base em valores essenciais de respeito civil e humano.

 

Hoje, diante de mais um ato de intolerância e expressões inequívocas de racismo por parte de um dos maiores representantes de nossas instituições, contra um ministro de nossa República, não podemos subestimar ou fingir que nada aconteceu.

 

A história nos ensinou que a barbárie, como bem advertiu o presidente Napolitano, começa com a banalização do mal, o minimizar de gestos, o virar o rosto.

 

Nós, hoje, em fidelidade à nossa missão comboniana e evangélica, o que nos leva a promover o diálogo entre culturas e nações, para suportar o crescimento da dignidade da mulher, para testemunhar e crescer no amor por África, como um lugar privilegiado, mas também simbólico do nosso carisma, rejeitamos categoricamente esta agressão que, se ignorada, pode levar a consequências que amanhã, ou ainda hoje, a história pode nos fazer pagar a conta.

 

Pedimos que aqueles que têm o direito e o dever de tomar medidas sérias contra essas provocações gratuitas e ofensivas contra Cécile, uma ministra da República Italiana, e outras pessoas que estão procurando com o seu trabalho, com sua paixão, escrever as páginas de uma nova Itália, mas também um mundo em que o respeito pela dignidade humana está em primeiro lugar.

 

Renovamos nossa proximidade e afeto a Cécile, prometendo estar com ela sempre por perto e fazer nosso o seu sofrimento, mas acima de tudo o seu sonho de uma vida digna para todos.



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