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Rep. Centro-Africana: Natal vivido sob grande tensão
26 de Dezembro de 2013

O Padre Everaldo, missionário comboniano na República Centro-Africana, enviou uma mensagem para relatar o clima que se vive no país durante este Natal.

 

Pessoalmente me encontro bem na missão na República Centro-Africana (RCA).

 

Os desafios são grades. Além da pobreza, o país afunda-se cada vez mais por causa da ação criminosa do grupo no poder (“ex rebeldes Seleka”) que realizaram um golpe de estado a mais de 9 meses, mas seus membros (hoje ditos forças armadas) continuam a fazer uso das armas para aterrorizar, roubar, e humilhar a população.

 

Nos últimos meses, a situação se agravou, porque diante dos abusos dos “militares do governo”, surgiram milícias de autodefesa em todas as regiões do país armadas de pau, machetes, espingardas de fabricação caseira que atacam os “homens do poder”.

 

Os confrontos são sangrentos e quem morre primeiro são os inocentes que não tem tempo de fugir. O país vive o começo de uma guerra civil, com confrontos devido a razões politicas que se misturam e agravam devido a perseguições religiosas. Infelizmente existe hoje uma grande cólera entre muçulmanos e cristãos (sobretudo não praticantes), que produzem perseguições e mortes todos os dias. Os muçulmanos se identificam com o poder e os não-muçulmanos se identificam com as milícias de auto-defesa.

 

São mais de mil mortos nos últimos 15 dias e muita gente fugindo para dormir no mato ou se refugiar nas igrejas. Os militares franceses vieram para desarmar as milícias armadas, mas os resultados ainda são insatisfatórios apesar dos belos discursos feitos pela imprensa francesa. Na minha paróquia (área rural) temos trezentas pessoas refugiadas e mais da metade da população dorme no campo (plantação) exposta ao frio, mosquitos, insetos, cobras, etc.

 

Nossa pastoral é uma pastoral de proximidade, solidariedade, e de dialogo procurando enraizar no coração das pessoas um espírito de tolerância, de perdão para evitar ações de vingança que preconizam alguns grupos locais. As atividades são reduzidas e com pequenos grupos. É um tempo de muitas lamentações, pobreza e carência alimentar. Os pequenos postos de saúde estão fechados excepto os da igreja católica e dos organismos internacionais como cruz vermelha.

 

Eis aí o contexto no qual nos preparamos para celebrar o Natal. Com a esperança cristã, nos fazemos próximos dos que sofrem, todos rezamos pela paz, exortamos os fieis a acolher a Paz que o Menino-Deus vem nos oferecer e a partilha-la com aqueles que carregam no coração magoas e dores que o mundo não pode apagar, mas que somente Deus pode transformar em Energia e força para testemunhar da sua proximidade e misericórdia para com os que n’Ele colocam a sua confiança.

 

Agradeço pelas orações e ofertas que recebemos. Lembro aqui o gesto de solidariedade que nos veio da Paróquia de Santa Amélia há alguns meses e outras ofertas que talvez tenham sido enviadas sem que eu seja informado. Que Deus vos fortaleça e vos abençoe nos vossos empreendimentos e trabalhos missionários.

 

Que o Menino-Deus nos de um coração manso e firme capaz de amar e de Doar a vida por este Amor que Vem de um Deus que «esquece» seu poder para assumir nossa condição humana e nos dar de novo a Dignidade de Filhos Antes Perdida.

 

A todos meu abraço e votos de um feliz natal e ano novo repleto de paz e esperança.

 

Pe. Everaldo de Sousa Alves



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