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Ano Novo: Fraternidade e Paz
31 de Dezembro de 2013

A promoção da fraternidade é a resposta cristã a tudo o que ameaça a paz.

 

O novo ano de 2014 começa com um dia dedicado à Paz: um bom começo e um bom augúrio para um ano que se adivinha difícil, tanto no plano interno, com a crise que nos deprime, como no plano externo, com os muitos focos de tensão que ensombram a cena internacional, a começar pelo Médio Oriente.

 

Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, o Papa Francisco liga a paz à fraternidade, a consecução da paz à promoção da fraternidade e da justiça entre as pessoas e as sociedades.

 

«A fraternidade é uma dimensão essencial da pessoa humana, sendo ela um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção de uma sociedade justa, de uma paz firme e duradoura», conclui o papa.

 

Apesar dos avanços nos meios de comunicação, que teoricamente deveriam aproximar pessoas e povos, a fraternidade está cada vez mais posta em causa por comportamentos individuais egoístas e decisões políticas etnocêntricas. A globalização, que marca a caminhada da humanidade do nosso tempo, «torna-nos mais vizinhos, mas não nos faz irmãos» (Bento XVI).

 

Por isso, a advertência do Papa Francisco é mais que oportuna: «Ainda hoje, esta vocação [à fraternidade] é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caracterizado pela “globalização da indiferença” que lentamente nos faz habituar ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos.»

 

De entre estes factos, que negam a fraternidade e põem em causa a paz entre pessoas e sociedades, o Papa Francisco denuncia alguns, que têm sido objecto da informação e da denúncia que a imprensa missionária em geral, e a revista Além-Mar em particular, têm feito: «Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos.»

 

A crise económica e social que nos aflige resulta também da falta de fraternidade e de sentido de justiça entre as pessoas e as instituições. O Papa Francisco reconhece-o: «Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se [agora] guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas. As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência de uma cultura de solidariedade.»

 

A promoção da fraternidade é a resposta cristã a tudo o que ameaça a paz. No nosso tempo, a consciência da fraternidade está ameaçada pelo «generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo» que «debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do descartável que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados inúteis».

 

Este é um tema – a relação da fraternidade com a paz – caro ao Papa Francisco. Com efeito, já na exortação apostólica A Alegria do Evangelho, ele tinha escrito que «enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade, dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível desarreigar a violência» (ver destaque, página 16 da Além-Mar de Janeiro de 2014). Nesse texto, o papa exortava a todos «a uma solidariedade desinteressada» e a um «regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano».

 

Um voto e uma tarefa para o ano de 2014, que a todos desejamos propício.

(P. Manuel Augusto Ferreira - Director Além-Mar)



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