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Moçambique: 20° aniversário do Acordo de Paz
4 de Outubro de 2012

No dia 4 de Outubro de 1992, a Frelimo e a Renamo assinavam o Acordo de Paz na cidade de Roma. O bispo D. Jaime Pedro Gonçalves (na foto), foi o mediador da Igreja moçambicana. Punha-se assim ponto final a “16 anos de guerra, de destruição e morte, de martírio e amor, de esperanças e sonhos, de silêncios e lágrimas, de medos e compaixão”, escreveu – hoje, dia da festa de São Francisco de Assis – o superior provincial de Moçambique, numa breve mensagem de encorajamento dirigida aos missionários combonianos a trabalhar no território da sua jurisdição.

 

“20 ANOS DE ACORDO DE PAZ”

 

Caríssimos Confrades:

Celebramos 20 anos de paz, é fácil expressar estas palavras, mas foi o triunfo não de duas pessoas ou dois partidos, mas foi a luta, o desejo e a profecia de todos os que viveram esses momentos dramáticos na história de Moçambique. Foram 16 anos de guerra, de destruição e morte, de martírio e amor, de esperanças e sonhos, de silêncios e lágrimas, de medos e compaixão.

 

Na última declaração da CEM, os Bispos levantaram a voz anunciando que a Paz está ameaçada pela situação atual em que vivemos, precisamente a carta foi titulada: “Construir a democracia para preservar a paz”. Por vários fatores e entre eles a falta de democracia, foram os motivos pelo qual surge essa guerra fratricida em Moçambique.

 

A Paz, como todos sabemos, é o triunfo da luta e esperança de todos os dias. Os alicerces da Paz são o respeito, o diálogo e a tolerância pelo diferente. Em outras palavras, é a dignidade da pessoa humana que tem direito de viver, de ter uma machamba, uma casa, ter saúde e paz, porém os menos favorecidos destes direitos são os pobres, os que vivem nas aldeias mais recônditas, os esquecidos da sociedade, os “do mato” onde a “luta pela pobreza” nunca chega, os que sofrem as piores atrocidades das guerras, das sequias, das chuvas e invernos sombrios, os que não conseguem ficar em pé, os que não são ouvidos, os que se manifestam e são reprimidos, os que são pisados e barridos pelos megaprojetos, os que não tem oportunidade para expressar o que sentem. Por eles, Deus nos escolheu e nos chamou para ser a voz da Paz, a voz da dignidade, a voz dos que não conseguem estudar e tem medo de falar. Em tudo isto se realiza a nossa missão.

 

Continuemos construindo a Paz que os nossos antecessores nos delegaram, unindo as forças na colaboração, na partilha e no empenho solidário com todas as pessoas. Que a intercessão de São Francisco de Assis nos ajude a implementar os sinais da sua atividade evangelizadora com o próprio testemunho da vida.

 

P. José Luis Rodríguez López

Superior Provincial

Maputo, 4 de Outubro de 2012



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