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Sudão do Sul: Interferências na liberdade de informação
8 de Outubro de 2012

As ondas da liberdade de informação estão a sofrer fortes interferências no Sudão do Sul.

 

Há cerca de um mês as autoridades do estado do Nilo Superior chamaram a diretora da rádio católica Voz do Amor, que emite em Malakal, para lhe manifestar o grande desagrado a por uma notícia que criticava a reforma geográfica ilegal levada a cabo pelo Governador do Estado. À irmã Elena foi dito que a rádio católica não se devia meter em política. A notícia tinha sido escrita em Juba pela redação central da Rede de Rádios Católica e reportava uma conferência de imprensa do secretário-geral do partido dominante, Pagan Amum, Shilluk, que protestava contra um série de medidas administrativas levadas a cabo pelo Governador Simon Kun Puoch, nuer, contra o povo shilluk, que são a maioria em Malakal, a capital do Nilo Superior.

 

Há duas semanas dois jovens não identificados sovaram o diretor de Good News, a estação católica que emite em Rumbek. O padre Don Bosco teve que receber tratamento médico em Nairobi onde se encontra a recuperar da experiência traumatizante.

 

Entretanto, o administrador da diocese – o bispo faleceu de ataque cardíaco há mais de um ano – recebeu uma mensagem no telemóvel para manter o diretor longe de Rumbek senão teriam de o assassinar porque – acusam – teve relações com uma rapariga local.

Entretanto, no condado de Tonj-South, o comissário Mario Monydhiath Gor proibiu a estação local – Rádio Don Bosco – de cobrir qualquer acontecimento na cidade e deu ordem aos serviços de segurança de fazer cumprir a proibição. O vice-ministro da informação do estado de Warrap veio a Tonj tentar de bloquear a situação, mas a animosidade do comissário tem sido mais forte. Agora que o ministro da informação regressou pode ser que o bloqueio informativo se levante.

 

Finalmente, hoje os serviços de segurança da república chamaram o diretor da Rádio Bakhita, a estação católica de Juba, e exigiram que «dispensasse» o apresentador Mading Ngor que literalmente fritou ao vivo e em direto o negociador-chefe do Sudão do Sul nas negociações com o Sudão. Pagan Amum – que também é o secretário-geral do partido no poder – foi à Bakhita para explicar à audiência da manhã os nove acordos que o Sudão do Sul assinou com o Sudão e parece que a sua prestação não correu nada bem e agora querem a cabeça de Ngor. Ngor disse-me que tanto o ministro como o vice-ministro da informação estavam a leste da exigência dos serviços de segurança. Gostei da resposta do secretário-geral em exercício da arquidiocese: o padre Abe mandou uma carta aos serviços de segurança dizendo têm que apresentar as queixas a ele e não ao diretor da rádio, porque a estação pertence à diocese.

 

Uma nota final: a administração norte-americana colocou o Sudão do Sul numa lista de países com acesso a ajudas especiais – se mantiverem a liberdade de informação no país!

(José Vieira - Missionário Combonianos no Sudão do Sul)



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