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Nigéria: Violência inter-religiosa e interétnica podem dividir o país
26 de Setembro de 2012

Padre Michael Umoh explica que a violência inter-religiosa e interétnica pode levar mesmo à divisão do país. No domingo, 23 de Setembro, novo ataque contra igreja cristã matou uma mulher e uma criança. Violência está a atingir limites muito perigosos e é um sinal externo de tensão tribal que ameaça a unidade do país.

 

De acordo com o padre Michael Umoh, do departamento de comunicação da diocese de Lagos, neste momento já existe uma guerra mas, para bem do país, uma das partes está a recusar deixar-se arrastar pela lógica da violência.

 

«Tem havido muito, muito poucos ataques de retaliação por parte dos cristãos. Mas a conferência episcopal já avisou o Governo que estamos a chegar a um ponto muito perigoso. Por mais que o Cristianismo pregue o amor, e os bispos continuem a encorajar os cristãos a abraçar o diálogo e a paz, de um ponto de vista humano eles começam a estar apreensivos e não sabem até que ponto conseguirão controlar os cristãos no futuro», explicou o sacerdote, em entrevista à «Rádio Renascença».

 

Para o padre Michael, este é também um problema étnico entre os hausas, de maioria islâmica, e os igbos, de maioria cristã, o que o torna ainda mais perigoso.

 

«A maioria dos cristãos atacados, mortos ou expulsos do Norte são igbos. Há um bom número de hausas no leste do país, a terra dos igbos, e no ocidente também há bastantes igbos. Poderemos assistir a um ataque concertado aos hausas, retaliatório em todo o oeste e leste do país se não agirmos a tempo. Se isso acontecer, e rezamos para que não aconteça, significa guerra. Aliás, já existe guerra, mas uma das partes tem-se recusado a deixá-la escalar», explicou.

 

A situação é tão grave que o padre Michael não descarta sequer a possibilidade de se dividir o país: «Essa é a questão fundamental. A única forma de explicar a violência do Boko Haram é uma relação geralmente má entre as tribos nigerianas. A Nigéria é um casamento de nações que não têm muito em comum. Na altura da formação do país dava para gerir, mas agora já não».

 

Não é só de desafios externos que vive a Igreja na Nigéria. As divisões tribais também afectam os católicos, lamenta o padre Michael. O problema é sobretudo de conversão, acredita o sacerdote: «O tribalismo é um problema sério na vida nacional e da Igreja. É doloroso ver que há cristãos, mesmo em altas posições da igreja, que ainda precisam de ser convertidos. É um problema que deriva de falta de conversão. É um mal terrível», considera o padre Michael.

 

Informações da «Rádio Renascença».



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