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África: A Grande Muralha Verde
31 de Maio de 2013

Os Chineses construíram a Grande Muralha para protegerem o Império do Meio das hordas invasoras. Os Africanos estão a plantar a Grande Muralha Verde para parar o deserto e combater a pobreza.

 

O programa envolve onze países africanos e pretende contrariar os efeitos da desertificação com um corredor de sete mil e setecentos quilómetros de comprimento e quinze de largura de vegetação diversa começando no Senegal e passando pela Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Etiópia e Eritreia e terminando no Jibuti cobrindo uma área de mais de 11,5 milhões de hectares.

 

Os povos que vivem na orla dos desertos do Sara e Sahel testemunharam mudanças profundas do clima no último quarto de século com secas prolongadas e baixa de precipitação, o que afectou e empobreceu os modos de vida tradicionais.

 

O ex-presidente Olusegun Obasanjo da Nigéria foi o pai da ideia da Grande Muralha Verde em 2005, que Abdoulaye Wade do Senegal apadrinhou. Em 2007, a União Africana apoiou a decisão de construir o grande muro e três anos mais tarde os onze países envolvidos no grande empreendimento ecológico assinaram a Convenção de Nedjadema pela qual criaram a Agência da Grande Muralha Verde.

 

A plantação de vegetação tem duas vantagens: segura os ventos secos e arenosos do deserto e mantém a humidade da terra e do ar, favorecendo as chuvas e a agricultura. O muro vegetal vai baixar a erosão, favorecer a biodiversidade e controlar as mudanças climáticas.

 

O Senegal já iniciou a plantação da cintura verde e os agricultores já colhem frutos e vegetais na sequência da reposição dos ecossistemas originais que a agricultura intensiva, a criação de gado, a desflorestação e as secas destruíram dando lugar às dunas do deserto.

 

A Grande Muralha Verde é um projecto caro: a factura deve chegar aos dois mil milhões de dólares. Mas é um investimento que vai fazer a diferença para as comunidades que vivem nas margens do Sara e do Sahel. O deserto já cobre dez por cento da área da África e tende a crescer a sul.

(José Vieira - Missionário Comboniano no Sudão do Sul)



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