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Darfur: Dez anos de conflito
27 de Fevereiro de 2013

Quando se cumprem dez anos desde o início do conflito no Darfur, um conflito que nunca teve um ponto final, o missionário comboniano Feliz Martins da Costa descreve o panorama atual: «As coisas pareciam ter melhorado entre 2009 e 2011. Mas, desde há um ano, especialmente nos últimos meses, voltaram os tiroteios». O sacerdote vive há anos nesta região do oeste do Sudão, onde as pessoas têm sofrido uma das piores crises humanitárias do mundo.

 

«Aos campos de refugiados de Kalma chegaram a 1.500 pessoas na sequência de violentos confrontos entre o exército e a Frente Revolucionária Sudão. A situação está assim há semanas».

 

Tensões sobre o controle das terras entre os camponeses (de etnia africana) e os pastores (de etnia árabe) eclodiram em fevereiro de 2003, quando dois grupos armados (SLA/M e JEM) se revoltaram contra o governo de Cartum, a quem acusavam de negligenciar a região e marginalizar as pessoas. O Presidente Omar Hassan El Bashir foi criticado por apoiar milícias árabes (os Janjaweed: demónios a cavalo) que atacaram a população local para controlar terras e pastagens.

 

«Ao longo dos anos, a situação no terreno mudou. Os processos de paz falharam miseravelmente, e as pessoas foram obrigadas a buscar refúgio em acampamentos», lamenta o missionário. «O conflito também mudou. Tornou-se um confronto étnico, impulsionado por interesses económicos e pelas milícias paramilitares pagas por políticos locais».

 

Desde janeiro deste ano, pelo menos 500 pessoas foram mortas em confrontos entre comunidades rivais Reizegat e Hussein Beni, que lutam pelo controle de terras no norte de Darfur e pela mina de ouro de Yebel Amir. A situação é pior no norte, ainda que todo o país esteja afetado, e passar de uma área para outra tornou-se perigoso, devido à presença de grupos armados.

 

Com informações de «Mundo Negro Digital».



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