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Mundo: Trabalho infantil no setor pecuário
26 de Fevereiro de 2013

O trabalho infantil no sector pecuário é generalizado e amplamente ignorado, alertou a «Organização da ONU para Agricultura e Alimentação» (FAO).

 

No primeiro estudo global sobre as questões relacionadas com o trabalho infantil no setor do gado, lançado na segunda-feira, 25 de Fevereiro, em Roma, a agência estima que a prática representa cerca de 40 por cento da economia agrícola.

 

O relatório «Trabalho Infantil no Setor da Pecuária: Além do Pastoreio» também cita casos de países de língua portuguesa.

 

«Em muitas zonas rurais, até em países lusófonos, não existem escolas. Se existem, são de baixa qualidade. Se o nível de educação é baixo, então as crianças que vão a estas escolas não têm muitas opções em termos de emprego. As famílias não têm muitas oportunidades ou necessidade de mandar as crianças às escolas. Muitas vezes, estas têm uma perspetiva que não valoriza muito a pastorícia e ou a agricultura», disse a diretora adjunta da Divisão do Género, Equidade e Trabalho Rural da FAO, Eve Crowley.

 

Angola é referida na pesquisa por relatos de rapazes levados para pastorear gado na Namíbia.

 

Por outro lado, o Brasil é apontado pelo envolvimento de crianças no abate de animais ao lado do Equador, com base em dados de uma pesquisa do Departamento norte-americano do «Trabalho sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil», Unsdol 2012.

 

O país também é referido por casos de trabalho infantil na fabricação de produtos de gado, ao lado da Bolívia e do Paraguai. Dados da instituição norte-americana, de 2011, citados no estudo, também mencionam o Paraguai, a Mauritânia, a Namíbia, o Uganda e a Zâmbia.

 

Em África, também são referidos os casos do Chade, que é considerado ponto de origem e de destino de crianças vendidas ou trocadas para o pastoreio forçado.

 

No Quénia, o tráfico para trabalho forçado infantil ocorre também no setor pecuário, considerando-se que seja «muito provável que o tráfico de crianças para as atividades de pastoreio não se restrinja às nações mencionadas».

 

O documento menciona a produção de artigos de couro por intermédio e trabalho infantil no Paquistão, na Índia e no Bangladesh.

 

Ao apontar que a agricultura representa a maior parte do trabalho infantil do mundo, o estudo defende que governos, organizações de agricultores e famílias rurais sejam envolvidos nos esforços para conter a prática.

 

Às partes envolvidas na busca de uma solução para a questão, pede-se a busca de alternativas por esta «refletir a necessidade de sobrevivência».

 

A FAO destaca ainda a necessidade da redução do trabalho infantil na agricultura como questão de direitos humanos e da busca verdadeiramente sustentável do desenvolvimento rural e da segurança alimentar.



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