Página Inicial







Sudão do Sul: Cidade da Paz é modelo para o mundo
15 de Março de 2013

Em entrevista concedida à agência «Misna», Paride Taban, bispo emérito de Torit, comenta sobre a Cidade da Paz de Santa Trindade em Kuron, no Sudão do Sul, uma experiência de reconciliação e paz que nasceu há oito anos.

 

A Cidade da Paz abrange uma área de quase 200 quilómetros quadrados de extensão, onde não há polícias nem um governo que imponha o respeito da Lei ou da Ordem.

 

Sobre o «Prémio Sérgio Vieira de Mello», outorgado pela ONU ao bispo sul-sudanês em 2013, o sacerdote se diz surpreso «não esperava. Mais tarde mudei de opinião. Do bem, neste mundo, damos sempre conta.»

 

De acordo com Monsenhor Paride Taban, o objetivo da Cidade da Paz no princípio era criar um oásis onde pessoas de diferentes tribos, crenças religiosas, culturas e comunidades pudessem coexistir dignamente.

 

«O objetivo é promover a paz entre as comunidades que estão em guerra, promovendo um projeto de trabalho e desenvolvimento sustentável, reconhecendo que desenvolvimento significa paz. Na Cidade, a paz constrói-se pela educação, saúde, condições de alimentação, assistência espiritual e pastoral e informação sobre os direitos e deveres de cidadania, respeitando a Lei e a Ordem», explica.

 

Questionado sobre o motivo da ONU ter eleito o projeto como «um modelo a divulgar por todo o mundo», o bispo emérito de Torit reponde que «as tribos Toposa, Nyangatom, Kachipo, Jie, Murle e Koroma, combatiam entre si e no dialeto local se chamavam “Nyemoit”, que significa inimigo. Durante oito anos foram capazes de viver juntos na Cidade da Paz e agora chamam-se “lepai”, que significa amigo».

 

O bispo deixou ainda um conselho para os governantes e cidadãos de Juba: «Seguir a visão de John Garang de Mabior quando disse: “Levar o desenvolvimento das cidades às populações, em vez de causar a emigração dos camponeses para os centros urbanos”.»



© copyright Missionários Combonianos - Revista Além-Mar | Todos os direitos reservados