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O petróleo volta a jorrar
9 de Abril de 2013

O petróleo volta a jorrar das entranhas do Sudão do Sul depois de 16 meses de alta tensão entre Juba e Cartum com as duas economias a sofrer fortemente pela falta do dinheiro da venda do ouro negro.

 

Stephen Dhieu Dau, o ministro do petróleo do Sudão do Sul, no sábado, 6 de Abril, carregou no botão que reiniciou a produção de crude em 24 poços no campo de Thar Jath, no estado de Unity.

 

Em Janeiro de 2012, o Governo do Sudão do Sul suspendeu a exportação de crude porque não chegava a acordo com o Governo do Sudão sobre as tarifas a pagar pelo uso da infraestrutura sudanesa para exportar o crude: o oleoduto e o porto de Port Sudan. O fechar das torneiras provocou uma crise económica profunda e os dois países estiveram à beira da guerra.

 

Thar Jath vai produzir cerca de dez mil barris diários e o crude deve chegar ao mercado internacional via Port Sudan em Maio. O ministro Dhieu disse que o primeiro dinheiro da venda do petróleo deve entrar em Julho nos cofres do Estado.

 

Os campos de Robkona e Pariang, também em Unity, devem reiniciar a produção dentro de dias enquanto os de Fauloj em Upper Nile estão mais atrasados porque a infraestrutura necessita de reparações urgentes para evitar derrames.

 

O reinício da produção de petróleo marca uma nova etapa nas relações entre o Sudão do Sul e o Sudão e injeta dinheiro fresco para as duas economias que lutavam com a falta de liquidez: a inflação em Cartum ronda os 50 por cento e em Juba o Governo não tem dinheiro para pagar à função pública, provocando a insegurança na capital e por todo o país com uma onda de roubos violentos.

 

Com o reinício da produção de crude o Governo do Sudão do Sul pode abandonar o orçamento de austeridade que estava a asfixiar a economia do país e usar o dinheiro para investir nas estradas, escolas, sistema de saúde, indústria e agricultura para relançar a economia e permitir aos cidadãos finalmente usufruir dos dividendos da independência.

 

Entretanto, o ministro Dhieu anunciou que os estudos para a construção de novos oleodutos entre os poços do Sudão do Sul e/ou os portos de Lamu, no Quénia, e Djibuti, via Etiópia, deviam estar prontos em Julho para os trabalhos começarem em Outubro. A saga do novo oleoduto tornou-se num sem fim de começos falhados como a construção de refinarias no país. Em seis anos foram anunciadas pelo menos uma meia dúzia de alternativas para a refinação de crude, mas o país continua dependente dos combustíveis vendidos pelo Quénia.

(José Vieira – Missionário Comboniano no Sudão do Sul)



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