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Nigéria: Cresce impunidade em assassinatos de jornalistas
3 de Maio de 2013

Abalada pelo ataque de milícias no norte e conflitos politicamente motivados em todo o país, a Nigéria tornou-se um dos piores países do mundo para a violência, mortal e impune, contra a imprensa, revelou o «Comité para a Proteção dos Jornalistas» (CPJ) no seu «Índice de Impunidade 2013». O índice global, que calcula os assassinatos de jornalistas não resolvidos como uma percentagem da população de cada país, também encontrou taxas de crescimento da impunidade na Somália, Paquistão e Brasil.

 

Segundo o CPJ, a impunidade para os assassinatos de jornalistas contribui para o amordaçamento da imprensa.

 

«Nos países onde a justiça não é feita nos casos de assassinato de jornalistas, isto encoraja outros assassinatos, enquanto os jornalistas tentam sobreviver auto-censurando-se», denunciou o diretor-executivo do CPJ, Joeal Simon.

 

«A entrada da Nigéria no índice revela que a violência começa a limitar a cobertura de questões importantes, o que constitui uma grave ameaça à democracia nacional. O Governo deve demonstrar a vontade política necessária para resolver estes crimes», indicou.

 

A Nigéria apareceu pela primeira vez neste índice divulgado por ocasião do «Dia Mundial da Imprensa», celebrado a 3 de maio.

 

Segundo o comunicado, cinco crimes ficaram impunes desde 2009 na Nigéria, um dos dois países africanos na lista, classificado no 11º lugar dos 12 países em causa.

 

Outro país africano repreensível nesta matéria é a Somália, onde 12 jornalistas foram mortos apenas em 2012, apesar da calma relativa observada em Mogadíscio, a capital do país.

 

«Dez países figuram todos os anos no índice desde o seu lançamento em 2008, o que evidencia os desafios a enfrentar para se pôr termo à impunidade enraizada", acrescentou o comunicado.

 

«Os Governos que se comprometerem a resolver estes casos devem garantir a proteção das testemunhas. Um projeto das Nações Unidas para combater a violência mortífera contra a imprensa oferece uma ocasião crucial aos Governos para tomar medidas decisivas a fim de fazer a justiça», sublinhou o diretor de CPJ.

 

No Brasil, as «Nações Unidas» lançam hoje o site «Segurança de Jornalistas», dedicado a essa questão cada vez mais crucial. O novo site é produzido pelo Unic Rio e pela Unesco, com informações de várias ONGs, como a Repórteres sem Fronteiras e o Instituto Vladimir Herzog.

 

Somente neste ano, quatro jornalistas foram assassinados no Brasil: dois em Minas Gerais, um no Rio de Janeiro e o outro no Ceará.



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