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África: O interesse da China pelo continente africano
6 de Maio de 2013

O novo presidente chinês incluiu três países africanos na primeira visita oficial ao estrangeiro, prova da importância estratégica da África para a China nos próximos dez anos.

 

Xi Jinping iniciou o mandato de presidente da China a 14 de Março de 2013 e dez dias depois já se encontrava na Tanzânia (na foto). Antes esteve na Rússia. Seguiram-se passagens pela África do Sul e a RD do Congo.

 

A China mantém relações com a África desde os anos 50, através do apoio a movimentos independentistas, e mais tarde da construção de estradas, caminho-de-ferro e oleodutos, para chegar aos campos de petróleo e às minas de cobre e urânio que alimentam a sua revolução industrial. Um milhão de chineses trabalha em África na construção e minas, mas o Governo invoca também que em meio século enviou 18 mil médicos para o continente, que trataram 250 milhões de pacientes. Em Juba, onde vivo, há pelo menos uma clínica e dois hospitais chineses em pleno funcionamento.

 

As trocas comerciais entre o continente e a China rondam os 200 mil milhões de dólares, com um ligeiro balanço a favor da África. Os Chineses importam crude, minerais, metais e madeira e exportam maquinaria, têxteis, meios de transporte, metais, plásticos e borrachas, muitas vezes de qualidade duvidosa – uma troca que Lamido Sannsi, governador do Banco Central da Nigéria, classificou de colonialista. O presidente do Botsuana, Ian Khama, também criticou a qualidade da construção civil chinesa no seu país.

 

A visita do presidente Jinping à África insere-se no contexto de uma relação comercial privilegiada, considerada desequilibrada por algumas vozes do continente. Em Dar-es-Salam, tentou traçar a nova política chinesa para a cooperação com a África, alegando tratar-se de uma forma de o continente «partilhar o sonho chinês». Reafirmou a proverbial não ingerência em assuntos internos e descreveu a cooperação com a África como uma relação entre iguais, «amigos de confiança e parceiros sinceros» que vivem um momento único: a África é das regiões que registam, na esteira da China, maior crescimento económico.

 

O presidente encontrou-se com 14 dirigentes africanos à margem da reunião dos países com economias emergentes, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Durban, na África do Sul, e assinou dezenas de acordos nas áreas do comércio, energia, ciência, agricultura, tecnologia e cultura.

 

Em Dar-es-Salam tinha dito que «a unidade e a cooperação com os países africanos têm sido um fundamento importante na política externa da China, que nunca irá mudar, mesmo que a China se fortaleça e reforce o seu estatuto internacional». E frisara que, como sempre, em troca não exigiria quaisquer condições. Ora, é disto que os dirigentes africanos gostam: ajudas em condições favoráveis e sem exigências de respeito pelos direitos humanos, boa governação e democratização. E que convém ainda mais à China, que necessita como pão para a boca de abundantes matérias-primas para manter a sua economia a crescer.

(José Vieira – Missionário Comboniano no Sudão do Sul)



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