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Indonésia: Denúncia de violência contra minorias religiosas
11 de Março de 2013

O Governo da Indonésia não consegue proteger as minorias religiosas diante da crescente intolerância religiosa e da violência que provocou 264 ataques em 2012: é o que afirma o novo relatório «Em nome da religião» publicado pela organização de defesa dos direitos humanos «Human Rights Watch» (HRW).

 

O documento convida o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, a adoptar uma política de tolerância zero para com os frequentes ataques contra as minorias religiosas, que estão a «envenenar a sociedade».

 

«Os grupos islâmicos atacam as igrejas cristãs enquanto o governo indonésio, a polícia e os militares assistem passivamente e às vezes participam defendendo os novos grupos fundamentalistas», denuncia a organização.

 

O relatório documenta o fracasso do Governo, que leva os grupos militantes a se tornarem mais agressivos, porque impunes. Quem paga com isso são as comunidades ahmadis, consideradas muçulmanas hereges, os cristãos e comunidades islâmicas xiitas. Segundo uma pesquisa realizada pela HRW, em dez províncias indonésias, em 2012, verificaram-se 264 episódios de violência contra as minorias religiosas.

 

Na maior parte dos ataques, os executores e mandantes permanecem impunes. Em dois casos, as autoridades locais se recusaram a aplicar e fazer cumprir as decisões do Supremo Tribunal, que garantia às minorias o direito de construir locais de culto, e até mesmo o ministro de Assuntos Religiosos, Suryadharma Ali fez «declarações discriminatórias».

 

Segundo HRW, «Susilo deve combater todo ataque violento contra as minorias, pois mostrou uma indiferença substancial». Além disso, funcionários do Governo e forças de segurança indonésias, muitas vezes facilitaram assédios e ameaças por parte de grupos militantes contra as minorias. Dentre os grupos fundamentalistas mais ativos, destacam-se o «Fórum do povo islâmico» e a «Frente de defensores do Islão» que consideram os não muçulmanos como infiéis e blasfemos.

 

A partir deste contexto, emerge uma erosão da liberdade religiosa para os cristãos e outras minorias. Esta erosão é justificada e aprovada também por instituições públicas, como o Ministério de Assuntos Religiosos, o Conselho para a observação das crenças na sociedade, e o Conselho dos Ulemás que usaram sua autoridade para penalizar as minorias religiosas.



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