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Vaticano: Nenhum contraste ou separação entre fé e caridade
5 de Fevereiro de 2013

Entre fé e caridade não há separação ou contraste. Porque na vida cristã «tudo parte do Amor e tende para o Amor», explica o Papa na mensagem para a Quaresma, apresentada na sexta-feira, 1 de Fevereiro. «O amor gratuito de Deus – escreve o Pontífice – é-nos dado a conhecer mediante o anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino, capaz de nos fazer «apaixonar pelo Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e o comunicar com alegria aos outros».

 

Nesta perspectiva o serviço ao próximo não é «um mandamento por assim dizer imposto de fora», mas antes «uma consequência derivante da fé que se torna activa no amor». Uma atitude que nos cristãos brota essencialmente «da consciência de ser amados, perdoados, até servidos pelo Senhor».

 

É portanto evidente que «não podemos separar ou, até, opor fé e caridade».  Trata-se de duas virtudes teologais «intimamente unidas»; e «é desviante ver entre elas um contraste ou uma “dialéctica”». Para «uma sadia vida espiritual» - admoesta Bento XVI – é necessário portanto evitar quer o «fideísmo», que insistindo sobre a prioridade da fé acaba quase  por «desprezar as obras concretas da caridade», quer do «activismo moralista», que em nome de «uma exagerada supremacia da caridade» alimenta a convicção errada de que «as obras substituam a fé».

 

«Na Igreja contemplação e acção devem coexistir e integrar-se», recorda o Pontífice. Mesmo se – acrescenta - «a prioridade compete sempre à relação com Deus e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé». A este propósito Bento XVI adverte contra a tentação de «circunscrever a palavra “caridade” à solidariedade ou à simples ajuda humanitária». Na realidade, recorda, a «máxima obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o “serviço à Palavra”», que constitui «a promoção mais nobre e integral da pessoa humana».

 

Em conclusão, o Papa recomenda que se viva a Quaresma como tempo propício para redescobrir a relação justa entre fé e caridade. De facto ela – escreve - «convida-nos a alimentar a fé através de uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e da participação nos Sacramentos e,  ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, também através das indicações concretas do jejum, da penitência e da esmola».

 



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