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R. Centro-Africana: Bispo denuncia violência
17 de Abril de 2013

«Bangui é uma cidade morta. Há muito pouca gente nas ruas», disse Dom Dieudonné Nzapalainga. O Arcebispo de Bangui realizou uma visita aos dois bairros da capital onde ocorreram os graves incidentes entre a população e os homens da coalizão rebelde Seleka que ocupou a cidade em 24 de março passado.

 

«Fui ao bairro Ouango, no sétimo departamento, e no bairro de Boy Rab, no quarto departamento», disse Dom Nzapalainga. «Estas duas áreas foram completamente interditadas com as operações de retirada de armas de elementos incontrolados. No entanto, perdeu-se o controle das operações: houve violência e saques contra a população. Em Ouango, confortei as crianças do orfanato saqueado pelos homens da Seleka que tomaram os 4 veículos da instituição, os computadores e material de escritório. As crianças e seus professores tiveram que se esconder horas, durante o saque».

 

«Em Boy Rab - continua o Bispo – celebrei Missa na paróquia São Bernardo, dos Padres Espiritanos. Às 17h30 ouvimos tiros de armas e todo o bairro foi interditado. Depois da Missa permaneci na casa paroquial até sair para levar alimentos às famílias da área. Vi cenas de desolação: mulheres e crianças abandonadas a si mesmas. Fui também ao mosteiro do bairro, que abrigou mais de cem refugiados».

 

O Bispo denuncia que «os homens da Seleka saquearam as casas dos civis» e que viu pessoalmente «automóveis cheios de objetos roubados da população passar diante de todos pelas ruas da cidade».

 

Dom Nzapalainga quer continuar a estar próximo dos mais carentes, não obstante a insegurança. «Hoje darei uma volta nos hospitais junto com a equipe da Caritas, pois estamos constatando um fenómeno novo: as pessoas estão se refugiando em hospitais para escapar das violências. Levaremos também alimentos às pessoas que estão abrigadas nas escolas».

 

O Bispo conclui apelando aos novos expoentes para que terminem com os saques. «Não se pode saquear a população até este ponto. Os pobres já são pobres e não se pode roubar o pouco que têm».

 

«Quem está agora no poder do país deve assumir suas responsabilidades e deter esta onda», conclui.



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