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Sudão do Sul: Presidente tira poderes ao vice
17 de Abril de 2013

O Presidente sul-sudanês Salva Kiir retirou ao seu vice-presidente, Riek Machar, todos os poderes que lhe tinha delegado, segundo um decreto oficial. No entanto, serão mantidas as suas funções.

 

Segundo o decreto, Kiir decidiu «a retirada de todos os poderes delegados, segundo as normas escritas, transferidos ao vice-presidente», que «se deverá se limitar à exercer e executar os únicos poderes mencionados na Constituição transitória de 2011».

 

O artigo 105º desta Constituição, que enumera os poderes do vice-presidente, prevê, outros que eventualmente transferidos pelo chefe de Estado, que o vice-presidente agisse em nome do presidente na sua ausência, participar ao Conselho de ministros e ao Conselho de Segurança.

 

Os poderes transferidos ao vice-presidente pelo chefe de Estado não eram precisamente conhecidos.

 

Riek Machar, antigo chefe da rebelião sulista que combatia o exército sudanês durante a guerra civil (1983-2005) que culminou com a divisão e à independência do Sudão do Sul em Julho de 2011, é um chefe influente do povo Nuer, segundo grupo étnico mais numeroso do país.

 

Originário do Estado petrolífero da Unidade, fronteiriço com Sudão, é uma personalidade controversa do seu país, mas continua a ser seguido pela maioria dos Nuer, do qual provem a grande maioria do exército sul-sudanês.

 

Nos anos de 1990, Riek Machar tinha criado um grupo dissidente do SPLA (Exército Popular da Libertação do Sudão), braço principal da rebelião sul-sudanês. Após ter assinado um acordo de paz com Cartum, a sua ala tornou-se uma milícia supletiva do Exército Sudanês no Sul do Sudão, onde ela enfrentava o SPLA, hoje no poder em Juba.

 

Machar reintegrara em 2000 o SPLA com os seus homens, no entanto, acusado do massacre em 1991 de vários milhares de Dincas, a etnia do presidente Salva Kiir.

 

O decreto presidencial decidiu também pela suspensão do processo de «reconciliação nacional», dirigido por Machar, destinado oficialmente a diminuir as tensões entre comunidades, mas visto por alguns observadores como uma «rampa de lançamento» utilizada pelo vice-presidente para as suas ambições políticas.

 

Machar é considerado por alguns observadores como um sério candidato as presidenciais previstas para 2015.



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