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RD Congo: Católicos prometem novas manifestações
5 de Janeiro de 2018

O Comité Laic de Coordination, que promoveu o protesto de 31 de dezembro duramente reprimido em algumas cidades na República Democrática do Congo, promete novas manifestações para evitar que o Presidente Joseph Kabila se perpetue no poder.

 

“Podemos nos sentir orgulhosos em ter participado do protesto de 31 de dezembro de 2017. Não podemos mais voltar atrás. Os nossos filhos nos olham, o mundo inteiro nos olha, a nossa consciência nos interpela”, refere o comité.

 

O Comité dos leigos promete novas iniciativas para os próximos dias, “depois de terem sepultado dignamente nossos compatriotas, mortos pela pátria, e de cuidar os feridos”, por pedir ao Presidente Joseph Kabila uma declaração na qual se comprometa em não candidatar-se à própria sucessão, em conformidade com a Constituição e a aplicação efetiva, integral, e em boa fé, do Acordo de São Silvestre, de 31 de dezembro de 2016 (que definiu a realização de eleições para dezembro de 2017 sem a participação do atual presidente)”.

 

Na mensagem, são ainda enumerados pontos que devem ser respeitados, como a libertação dos prisioneiros políticos, o retorno do exílio dos opositores ameaçados de prisão, o fim da duplicação dos partidos políticos (ou seja, a criação de uma falsa oposição por parte da maioria presidencial).

 

Contrariando o acordo, a Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni) apresentou um calendário eleitoral segundo o qual as eleições presidenciais deverão ser realizadas em 23 de dezembro de 2018.

 

A decisão unilateral da Ceni suscitou fortes críticas da oposição, que entendeu como uma tentativa de Kabila de reduzir as pressões.

 

O mandato de Kabila, no poder desde 2001, terminou em 2016. A Constituição o proíbe de concorrer novamente, mas lhe permite permanecer no cargo até a eleição de seu sucessor.

 

O texto da convocação original para as manifestações de 31 de dezembro de 2017 destacam os seguintes pontos: convida a população uma marcha pacífica e a não aceitar qualquer forma de manifestação violenta; não lançar pedras ou disparar com qualquer tipo de arma; não considerar os policiais militares ou de outros serviços de segurança como inimigos; e que os policiais façam o seu serviço profissionalmente.

 

O Comité destaca também que o povo congolês está a manifestar-se pelo respeito aos seus direitos humanos, pelo respeito à sua dignidade e prosperidade.



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