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Vaticano: É possível sonhar um mundo sem fome
17 de Outubro de 2018

“Podemos sonhar um futuro sem fome, mas isso só é legítimo se nos envolvermos em processos tangíveis, relações vitais, planos operativos e compromissos reais”, escreveu o Papa Francisco por ocasião do Dia Mundial para a Alimentação celebrado na terça-feira, 16 de outubro de 2018.

 

De acordo com a mensagem do Papa dirigida ao Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, “para tal envolvimento, a iniciativa Fome Zero 2030 oferece um quadro propício e servirá, sem dúvida, para realizar o segundo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, que visa «erradicar a fome, obter a segurança alimentar e a melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável».

 

“Infelizmente, não cessa de aumentar o número imenso de seres humanos que não têm nada, ou quase nada, para levar à boca. Deveria ser o contrário, mas as estatísticas recentes mostram, com evidência desconcertante, como parece resfriar a solidariedade internacional. E, quando falta a solidariedade, todos estamos cientes hoje de que as soluções técnicas e os projetos, mesmo os mais elaborados, não são capazes de enfrentar a tristeza e a amargura de quem sofre por não conseguir alimentar-se de maneira suficiente e saudável”, refere o Santo Padre.

 

No mundo, cerca de 820 milhões de pessoas com o flagelo da fome. Cerca de 155 milhões de crianças sofrem de subnutrição crónica e podem ter de lidar com os efeitos da deficiência de crescimento durante toda a sua vida. A fome causa perto de metade das mortes infantis em todo o mundo.

 

Francisco refere mesmo que falta realmente vontade política: “É preciso querer de verdade acabar com a fome, mas isto não acontecerá se, em última instância e antes de tudo, não houver a convicção ética, comum a todos os povos e às diferentes visões religiosas, que coloca no centro de qualquer iniciativa o bem integral da pessoa e que consiste em fazer ao outro aquilo que gostaríamos que nos fosse feito a nós. Trata-se de uma ação fundada na solidariedade entre todas as nações e de medidas que traduzam o sentir da população”.

 

“Peço ao Todo-Poderoso que este percurso, visando abrir a estrada para ações concretas e eficazes em ordem a um futuro de convivência serena e construtiva, seja cumulado das suas bênçãos, para benefício nosso e das gerações vindouras”, concluiu o Papa.



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