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RDC: Região de Beni sofre com massacres e Ébola
16 de Outubro de 2018

Morador da região de Beni, na República Democrática do Congo (RDC), um postulante comboniano deu seu testemunho e lançou o alerta sobre os massacres e a epidemia de Ébola que assolam a região.

 

“Praticamente todos os dias há vítimas de massacres. No entanto aqueles que mais nos chocaram foram os que aconteceram entre 3 e 15 de setembro de 2018, e que causaram mais de 40 mortes e a debandada da população”, afirma.

 

O postulante comboniano diz que não se sabe quem são os rebeldes que efetuam os ataques, mas que algumas fontes apontam que são sodados congoleses enviados pelo Governo.

 

Governo este que merece muitas críticas por parte desta testemunha: “A RDC apresenta-nos a injustiça e a corrupção como algo de normal. Um mundo onde os intelectuais são confundidos com os ignorantes, um mundo onde o poder em exercício não tem ideais, um presidente que não se preocupa do seu povo, mas apenas se aproveita das riquezas do país em benefício próprio, deixando o povo abandonado à sua triste sorte. Assiste-se a um mundo humano sem humanidade, onde reina o poder do mais forte e o pequeno é espezinhado e massacrado. É a expressão da animalidade privada da racionalidade”.

 

Em seu testemunho, o postulante refere ainda que nas últimas semanas, nenhuma atividade escolar se realizou em Beni. “Assim a greve prolonga-se de semana a semana, devido aos contínuos massacres que espalham o terror e a morte”.

 

No mês de setembro e durante um dos ataques, pelo menos 15 crianças cujas idades variavam entre os 3 meses e os 17 anos, foram raptadas.

 

A região de Beni, foi a segunda a ser confirmada como zona afetada pelo Ébola este ano, depois de ter sido erradicada de Bikoro.

 

“Esta epidemia não foi e não é um mito. É real”, afirma o postulante, que acrescenta que “a doença já causou a perda de muitas vidas”.

 

“Apesar do Ministério da Saúde ter implantado rapidamente o seu equipamento para tratamento do Ébola, continuam a aparecer novos casos. Dos 80 mortos confirmados poderíamos adicionar muitos outros casos, que não foram publicados”, refere.

 

“É necessário que a população local continue a observar as medidas preventivas disponibilizadas pelos serviços de saúde para limitar os danos ao mínimo possível. Mas como fazê-lo em plena ameaça de guerras?”, questiona.

 

“Na República Democrática do Congo, todos os meios são permitidos para que o poder atual continue e a vida dos cidadãos seja ignorada, como se a única realidade fossem as riquezas naturais do Congo, esquecendo que a verdadeira riqueza são as pessoas”.

 

“Em virtude de nossa fé em Jesus, nosso Libertador, não pararemos de gritar. É uma lâmpada que ilumina o mundo, mesmo que o mundo não o queira. É hora de não cruzarmos os braços, mas de agir como pacificadores, mesmo que isso exija o sacrifício supremo. Que o mundo congolês se atenha a ele. É hora de testemunhar e tirar a vida das mãos do mau pastor que está a matar suas ovelhas. A luta ainda tem um longo caminho a percorrer. Qual pastor pode ficar em silêncio quando suas ovelhas estão sendo comidas?”, conclui o testemunho.

 

Fonte: Jirenna

 



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