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Brasil: III Romaria do P. Ezequiel Ramin
19 de Julho de 2018

Realiza-se no domingo, 22 de julho, em Rondolândia (Mato Grosso) a III Romaria do Padre Ezequiel Ramin.

 

O P.e Ezequiel Ramin, missionário comboniano, foi assassinado há 25 anos em Cacoal, em Rondónia, amazónia brasileira, quando regressava de uma missão de paz. Defensor dos índios e dos pobres, vítima de uma emboscada, foi baleado pelo seu compromisso com os sem-terra.

 

Muitas pessoas continuam sendo tocadas pelo testemunho de vida do Servo de Deus e por isso se reúnem para louvar a Deus pelo dom da sua vida e pedir sua intercessão nos momentos de aflição.

 

Uma frase que escreveu poucos meses antes de morrer mostra bem o espírito que orientou a sua vida: «Estou caminhando com uma fé que cria, como o Inverno cria a primavera. Ao meu redor, o povo morre, o latifúndio aumenta, os pobres são humilhados, a polícia mata, as reservas indígenas são todas invadidas... Como o Inverno, eu também sinto que estou gerando Primavera.»

 

Nascido na Itália, em 1953, Ezequiel Ramin aprendeu desde cedo a viver a fé com autenticidade e engajamento. Estudou, cresceu e viveu sua juventude sonhando com soluções para alguns problemas dos países mais pobres. Não se contentou com teorias, mas se envolveu diretamente no movimento “Mãos estendidas”, até assumir a liderança. A maneira de ser de Ezequiel associava grande sensibilidade pelos pobres junto a uma personalidade forte. Sentia que Deus o chamava a ir em missão além-fronteiras, e por isso, decidiu ser missionário. Pouco a pouco amadureceu sua vocação missionária.

 

Em 1984, chegou para ele a oportunidade de viver esse sonho missionário. Com 31 anos de idade, o Pe. Ezequiel foi enviado para o Brasil. Ao chegar em Cacoal, no meio do ano de 1984, Pe. Ezequiel abraçou com garra e espírito de comunhão o projeto eclesial da diocese de Ji-Paraná e o trabalho pastoral realizado na paróquia de Cacoal pelos Combonianos.

 

Colocou-se corajosamente em defesa dos indígenas e dos agricultores pobres, na luta pelo direito à terra e à vida digna. Fez causa comum com os pobres da Amazônia. Compreendeu que ser missionário era servir aos que mais sofriam: “O meu trabalho aqui é de anúncio e denúncia."

 

Perante as pressões e ameaças de fazendeiros e jagunços, ele tomou posição. No dia 24 de julho de 1985, saiu de casa bem cedo, em companhia do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cacoal, Adílio de Souza, para trocar ideias com os sem-terra que ocuparam a fazenda de Catuva, ameaçados de despejo. Na viagem de regresso, na estrada, foi crivado de balas. Foi o fim trágico de um idealista que morre sem encontrar respostas às suas próprias inquietações.



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