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Nicarágua: Governo aberto ao diálogo com bispos e com a ONU
2 de Agosto de 2018

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que entrou em contato com o Secretário-geral da ONU, António Guterres, com Organismos internacionais e com o cardeal Leopoldo Brenes, arcebispo de Manágua, para “reforçar a comissão de diálogo”, e poder assim “obter bons resultados” para a solução da crise que atravessa o país.

 

O anúncio foi feito por ocasião de uma entrevista à CNN, na qual o presidente admite pela primeira vez que 195 pessoas morreram desde o início da crise, em 18 de abril passado. Ortega afirmou que o balanço das vítimas fornecido pelas agências humanitárias, que fala de mais de 400 mortos, não é real.

 

“Os números que temos, e não são poucos, referem-se a 195 vítimas”, destacou o Presidente, que atribuiu as vítimas “a combates entre forças governamentais e manifestantes”.

 

Apesar da oposição pedir com força a sua renúncia, o Presidente excluiu um referendo para saber se a população é favorável ou não a eleições antecipadas, “porque custaria muito dinheiro ao governo”.

 

No entanto propôs “a criação de condições para reforçar o diálogo nacional”. O diálogo nacional foi suspenso depois de numerosas agressões aos bispos, que tinham se oferecido – e continuam disponíveis até hoje – como mediadores no confronto entre a oposição e governo. O próprio Ortega algumas semanas atrás, tinha acusado os bispos de serem “golpistas”.

 

Enquanto isso, as violências no país não têm trégua. Continuam as marchas de protestos e desordens. Esta semana a ONU comunicou que, entre as muitas consequências da crise, há principalmente a emergência dos refugiados. Nos últimos meses 23.000 pessoas fugiram da Nicarágua para a Costa Rica tentando obter asilo, segundo o porta-voz do Alto Comissariado nas Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR), William Spindler.



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