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Sudão/Sudão do Sul: Dois santos adorados no mundo todo
17 de Setembro de 2018

“Em cada centro, em cada lugar (no Sudão), não concluímos a oração sem dizer: Santa Bakhita rogai por nós, São Comboni rogai por nós”, afirma o arcebispo de Cartum, Michael Didi Adgum Mangoria. O prelado se refere aos dois santos sudaneses venerados pelos católicos no mundo todo.

 

Santos Bakhita e Comboni são presentes do Sudão para a Igreja

Os dois santos são um presente do Sudão para a Igreja universal: Santa Josefina Bakhita é a padroeira do Sudão e dos sobreviventes do tráfico humano. Nascida em Darfur, no Sudão, seu dia de festa é 8 de fevereiro.

 

São Daniel Comboni, italiano, fundou os Missionários Combonianos. Comboni, que tinha uma forte ligação com o Sudão, também teve uma grande visão para a África em geral. Na época, era incomum falar sobre a África da maneira que ele fez. Sua visão para a África é captada em seu lema “Salvar a África com África”. O dia da festa de Comboni é 10 de outubro.

 

Sobre a situação dos cristãos católicos a viver no Sudão nos últimos anos, o arcebispo disse o seguinte:

“Tivemos uma boa presença de cristãos antes de 2005 na parte norte do Sudão, mas depois da divisão do país em 2011 nos tornamos uma minoria aqui na República do Sudão. Mas, em 2013, quando a guerra começou no Sudão do Sul, muitas pessoas retornaram para o Sudão - na verdade mais do que antes”.

 

De acordo com o arcebispo, o maior desafio que os cristãos enfrentam na República do Sudão é o da pobreza.

“Muitos dos cristãos são pessoas das áreas rurais do Sudão. A maioria vem para as grandes cidades, como Cartum, para fugir de conflitos armados endêmicos, como os combates nas montanhas Nuba. Quando chegam às cidades, longe de um ambiente agrário que conhecem melhor, a vida torna-se particularmente dura quando tentam ganhar a vida a comprar e vender nos mercados”.

 

“Do ponto de vista pastoral, a Igreja tem poucos padres locais. Também é complicado conseguir permissão de trabalho e residência para os missionários que desejam servir no Sudão. Pode ser um desafio enorme renovar as licenças quando elas expiram”, refere Mangoria.

 

Perguntado se os cristãos podem praticar sua fé livremente, o arcebispo não poupou elogios ao povo sudanês comum, que ele descreveu como bom e hospitaleiro. No entanto, embora as autoridades do Sudão neguem repetidamente a discriminação contra os cristãos, algumas das leis promulgadas parecem direcionadas aos cristãos.

 

Um caso doloroso, entre os cristãos, é a declaração do Ministro da Educação no estado de Cartum, no ano passado, proclamando o sábado como um dia “extra santo ou um dia de obrigação”. Por quase 100 anos, os cristãos observavam sextas e domingos como dias de obrigação. A adição de sábado, no estado de Cartum, significa efetivamente que as instituições e escolas da Igreja agora só operam em uma semana de quatro dias. Para muitos cristãos, isso parece discriminatório.



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