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Servos humildes e testemunhas corajosas do Evangelho
20 de Setembro de 2018

XXV Domingo do Tempo Comum: Ano B – 23.9.2018

 

Sabedoria 2, 12.17-20

Salmo 53

Tiago 3, 16-4,3

Marcos 9, 30-37

 

Reflexões

Continuamos na escola de Jesus, para aprofundar a sua identidade. O Evangelho não é um código de leis, mas o autorretrato de Jesus Cristo, que é modelo para o cristão, exemplo para o apóstolo, boa nova para todos aqueles que procuram Deus de coração sincero. No trecho do Evangelho de hoje, Marcos apresenta Jesus como mestre que ensina repetidamente, os seus discípulos acerca da Sua identidade de Filho do homem que será morto, mas que depois ressuscitará (v. 31). Uma lição que os discípulos não podem compreender, porque estão preocupados com os primeiros lugares (v. 34). Jesus desarma as suas ambições de poder, definindo-se como «o último de todos e o servo de todos» (v. 35). É o pequeno, a criança, que o Pai enviou (v. 37).

 

Ser o primeiro e o maior é uma ambição instintiva, presente no coração de toda a pessoa e em todas as culturas. Também nas comunidades cristãs de antiga e recente fundação. Jesus subverte esta lógica humana. Afirma-o com as palavras; mais tarde dará testemunho disso, inclinando-se, como um servo, a lavar os pés aos seus discípulos. Ele, «o Senhor e Mestre!» (Jo 13, 14), escolheu o último lugar. Desse modo, Jesus ensina com autoridade a toda a pessoa e a todos os povos um novo estilo de relações humanas, espirituais e sociais. A primeira relação que todo o cristão é chamado a viver é a filiação relativamente a Deus, isto é, a relação de criatura face a Deus, Pai e Criador. A esta segue-se a relação de fraternidade nas relações com os seus semelhantes: somos todos igualmente filhos do mesmo Pai, e portanto irmãos. Cultivar estas relações de filiação e de fraternidade ajuda a viver e a crescer, dá segurança interior e acalenta o coração das pessoas.

 

Ao contrário, as relações “patrão-subordinado, “superior-súbdito” são posteriores, pobres e áridas. A mera relação de dependência inquina muitas vezes as relações humanas e sociais, até mesmo no interior da Igreja. De facto, ensina São Tiago (II leitura), «inveja e rivalidade» (v. 16) são paixões que corroem as relações humanas e provocam desordens, guerras, contendas… Exatamente o contrário da «sabedoria que vem do alto», a qual é rica de bons frutos de paz, mansidão, misericórdia (v. 17). (*)

 

Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10, 45) e ser «o servo de todos», realiza o gesto altamente significativo de tomar uma criança, colocá-la no meio, abraçá-la, convidando os discípulos a fazer o mesmo (v. 35-37). Um gesto que revela uma mensagem e um estilo. É uma mensagem de atenção amorosa para com as pessoas mais débeis, indefesas, necessitadas e dependentes em tudo. O facto de facto Jesus tomar e abraçar uma criança – mais adiante tomará nos braços e abençoará várias crianças – (cf. Mc 10, 13-16) assegura-nos que Ele era uma pessoa afável, agradável. Embora os Evangelhos não nos digam nunca que Jesus tenha rido ou sorrido, o estilo da sua relação coma s crianças confirma-nos que Ele era uma pessoa amável, acolhedora, sorridente. Se assim não fora, as crianças não se teriam aproximado, tê-lo-iam evitado. O apelo de Jesus a favor das crianças é plenamente actual, face aos muitos casos de abusos e desatenções para com os mais pequenos. O objetivo da «Jornada pelas Crianças da Rua» (30 de setembro) está em sintonia com o Evangelho.

 

A conduta transparente e humilde, mas resoluta, da pessoa honesta, que serve Deus e ama o próximo, provoca muitas vezes a indignação dos malvados, que a querem eliminar (I leitura). É esta a história, antiga e actual, de tantos missionários mortos porque eram testemunhas incómodas: ou porque denunciavam injustiças e prepotências (por ex., João Batista, Óscar Romero: El Salvador 1980…), ou porque incomodavam com o seu serviço silencioso (B. Charles de Foucauld: Argélia 1916; Anabela Tonelli: Somália 2033…). Na atividade missionária é preciso recordar sempre com afeto e oração os anunciadores do Evangelho (missionários, simples fiéis e comunidades cristãs) que testemunham e difundem o Reino de Deus em situações de perseguição, opressão, prisão, discriminação, tortura, morte. Mas quem sofre com amor e quem acredita nunca está só. Porque é certo que «o Senhor sustenta a minha vida» (Salmo responsorial). E assim vai crescendo o Reino de Deus.

 

Palavra do Papa

(*) «Pôr-se na sequela de Cristo significa carregar a própria cruz — todos temos uma... — para o acompanhar no seu caminho, um caminho desagradável que não é o do sucesso, da glória passageira, mas aquele que leva à liberdade verdadeira, que nos liberta do egoísmo e do pecado… Jesus convida a perder a vida por Ele, pelo Evangelho, a fim de a receber renovada, realizada e autêntica… Há jovens aqui na praça: rapazes e moças. Pergunto-vos: sentistes vontade de seguir Jesus mais de perto? Reflecti. Rezai. E deixai que o Senhor vos fale.»

Papa Francisco

Angelus, domingo 13 de setembro de 2015.

 

No encalço dos Missionários

- 23/9: S. Pio de Pietrelcina (Francesco Forgione, 1887-1968), sacerdote capuchinho, agraciado com dons espirituais especiais, dedicado ao ministério da reconciliação e da caridade. A sua santidade e o seu carisma continuam a exercer uma forte irradiação missionária em todo o mundo.

-23/9: BB. Cristóvão, António e João, jovens de Tlaxcala (México), martirizados nos alvores da evangelização (1527-1529).

- 24/9: B. Virgem Maria das Mercedes, título que proclama a misericórdia divina e inspirou a Ordem dos Mercedários e o apostolado missionário para a libertação dos escravos.

- 24/9: B. António Martino Slomsek (†1862), bispo de Maribor (Eslovénia); cuidou particularmente a formação cristãs das famílias e do clero, e promoveu a unidade da Igreja.

- 24/9: Evocação de Mons. Ângelo F. Ramazzotti (Itália, 1800-1861), bispo de Pavia e patriarca de Veneza, fundador do Seminário Lombardo para as Missões Estrangeiras, primeiro núcleo do PIME.

- 25/9: S. Sérgio de Radonez (russo, 1313-1392): primeiro foi eremita, depois cultivou a vida comunitária no mosteiro da SS. Trindade em Moscovo; era muito procurado como guia sábio.

- 26/9: B. Luís Tezza (1841-1923), sacerdote camiliano italiano, missionário em Lima (Peru), fundador das Filhas de S. Camilo para a assistência aos doentes.

- 27/9: S. Vicente de Paulo (1581-1660), sacerdote francês, fundador da Congregação das Missões e das Filhas da Caridade, para a formação do clero, as missões populares e o serviço dos pobres.

- 27/9: Dia Mundial do Turismo – Tema (2012): «Turismo e sustentabilidade energética propulsores de turismo sustentável».

- 28/9: S. Lourenço Ruiz, de Manila, e 15 companheiros mártires (sacerdotes, religiosos e leigos), mortos em Nagasaki, Japão, 1633-1637), depois de ter evangelizado no Extremo Oriente.

- 28/9: B. Niceta Budka (1877-1949), bispo, nascido na Ucrânia, missionário no Canadá entre os católicos de rito bizantino; morreu no campo de concentração em Karadzar, Kazaquistão.

- 28/9: Nascimento de Confúcio na China (551 d.C.).

- 29/9: Festa S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael, arcanjos, servos de Deus e seus mensageiros junto dos homens.

 

Colaboração e agradecimentos

Coordenação: P. Romeo Ballan - Missionários Combonianos (Verona)

Sítio Web: «Palavra para a Missão»

 



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