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Portugal: Paróquia participa no realojamento de 13 famílias do Bairro da Torre
25 de Julho de 2018

Missionários Combonianos, há sete anos no bairro, apelam ao voluntariado e à «solidariedade cristã»

 

Da Agência Ecclesia

 

Os Missionários Combonianos, responsáveis pelas paróquias de Camarate e Apelação, no Patriarcado de Lisboa, integram a Associação de Moradores Torre Amiga, que procura encontrar uma solução para as 13 famílias que ficaram desalojados após um incêndio no Bairro da Torre.

 

Em declarações à Agência Ecclesia, o irmão José Manuel Duarte explicou hoje que se vai definir qual o sítio para “alojar as pessoas”, provisoriamente, sendo alternativas “alguns contentores de uma escola primária ou nos Bombeiros Voluntários de Camarate”.

 

Na noite de sábado para domingo, um incêndio deflagrou num dos núcleos habitacionais do Bairro da Torre – junto ao aeroporto Humberto Delgado – e destruiu cinco barracas e dois carros, no Concelho de Loures, Distrito de Lisboa.

 

Em comunicado, a Associação de Moradores Torre Amiga informou que ficaram desalojadas 13 famílias, num total de 25 pessoas, onde se encontram cinco idosos, um bebé, quatro crianças, e dois adolescentes.

 

O diálogo com a autarquia local procura uma resposta para as preocupações mais urgentes, sem esquecer uma “solução futura”.

 

“Estamos na câmara (Loures) para falar com técnicos, presidente, para procurar uma solução em conjunto com todas as associações que estamos a apoiar e a paróquia”, referiu o missionário comboniano, esta manhã, antes da reunião na Câmara Municipal de Loures.

 

“Temos de procurar uma solução definitiva, mas é muito complicado”, explica, sobre o Bairro da Torre, que existe desde a década de 70.

 

O religioso observou que há um “trabalho social” em que é preciso “fazer tudo”, para além do alojamento, roupas e alimentação, dado que existem pessoas com “problemas de saúde” e que “perderam as receitas médicas”.

 

O apelo, neste momento de emergência, é que as pessoas “visitem” essa comunidade, porque o “acompanhamento humano é o principal, mostrar a solidariedade cristã”, e nessa visita podem levar “algum bem alimentar, que são necessários, e alguma roupa”.

 

As reuniões já começaram esta segunda-feira, e o irmão José Manuel Duarte adianta que a Câmara Municipal de Loures “só tem duas casas disponíveis, que precisam de obras”, e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana “apenas quatro, em diferentes partes”, o que implicaria “dividir famílias e amigos”.

 

Atualmente, segundo a Associação de Moradores Torre Amiga, vivem no bairro autoproduzido, em parte de ocupação ilegal, cerca de 200 pessoas num total de 47 famílias em “situação de grave precariedade”, com baixos níveis de escolaridade, baixos rendimentos e muito más condições de habitabilidade.

 

Os Missionários Combonianos estão na Paróquia de Camarate e Apelação, no Patriarcado de Lisboa, há sete anos e o entrevistado destaca que para além do apoio em “bens essenciais – medicamentos, alimentação” – têm um grupo pastoral bíblico, que promove um “acompanhamento desde a Palavra de Deus”.

 

No Bairro da Torre existe também um grupo coral africano, que “anima a Eucaristia aos domingos”, cujo objetivo “é fazer pontes”.

 

Neste contexto, o irmão José Manuel Duarte realça também que estão em curso “vários trabalhos com a comunidade cigana”, com crianças na catequese, “um pequeno passo de evangelização”.

 

“São vários campos de ação, mas são coisas mínimas porque não temos voluntários. Não há pessoas, que queiram vir, participar, de outras paróquias. Não temos pessoas para tantas necessidades”, desenvolveu.

 

Para o missionário comboniano, é preciso “rever as pastorais paroquias” para em conjunto encontrar um acompanhamento e a pastoral das periferias em Portugal possa ter “uma ação real, concreta” na resposta a “estes grandes desafios que estão a crescer”.



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